terça-feira, 19 de maio de 2015

Questões Comentadas de História Moderna

ABSOLUTISMO
1) (Mack-2003) O absolutismo e a política mercantilista eram duas partes de um sistema mais amplo, denominado de Antigo Regime. O termo foi adotado para designar o sistema cujos elementos básicos eram, além do absolutismo e do mercantilismo, a sociedade estamental e o sistema colonial. Assinale a alternativa que expressa, corretamente, uma prática dos Estados Absolutistas.
a) Liberdade religiosa
b) Centralização político-administrativa
c) Enfraquecimento do poder real
d) Política econômica liberal
GABARITO: B
O Absolutismo se caracterizou pela máxima centralização do poder nas mãos dos monarcas, o quem conferia a ele autoridade sobre todos os assuntos da nação.

ABSOLUTISMO/LIBERALISMO
2) (Vunesp-2004) Compare os dois textos seguintes e responda. Em todos os lugares havia calma. Nenhum movimento, nem temor ou aparência de movimento no Reino havia que pudessem interromper ou se opor aos meus projetos. (Memórias de Luís XIV para o ano de 1661.) Para nos mantermos livres, cumpre-nos ficar incessantemente em guarda contra os que governam: a excessiva tranquilidade dos povos é sempre o pregoeiro de sua servidão.
(J. P. Marat. As cadeias da escravidão, 1774.)
a) A que regime político predominante na Idade Moderna europeia os dois textos, de formas diferentes, se referem?
b) O texto de Marat apresenta uma noção de cidadania elaborada pela reflexão política do Século das Luzes. De que forma a Revolução Francesa do século XVIII foi a expressão desta nova concepção política?
Gabarito comentado
a) Refere-se ao regime absolutista monárquico.
b) A Revolução Francesa destruiu o Antigo Regime absolutista e instituiu o liberalismo político. Fundada no Iluminismo, propunha um governo estruturado no consentimento e na preservação dos direitos naturais dos governados: a vida, a liberdade e a propriedade.

ABSOLUTISMO
3) (Vunesp-2005) A longa crise da economia e da sociedade europeias durante os séculos XIV e XV marcou as dificuldades e os limites do modo de produção feudal no último período da Idade Média. Qual foi o resultado político final das convulsões continentais dessa época? No curso do século XVI, o Estado absolutista emergiu no Ocidente.
(Perry Anderson, Linhagens do Estado Absolutista.)
a) Identifique duas manifestações da crise do século XIV.
b) Aponte duas características do Estado absolutista

GABARITO
a) A crise europeia do século XIV foi marcada pela guerra (dos Cem Anos, entre Inglaterra e França), pela epidemia (a “peste negra”), pela fome (fruto de significativa mudança climática) e pela desaceleração do comércio europeu.
b) Entre as características do Estado absolutista, poderiam ser citadas: concentração do poder nas mãos do rei, identificado com o Estado; preservação de privilégios para uma aristocracia mantida em cargos administrativos; adoção da política econômica mercantilista; legitimação do Estado pela teoria do direito divino.

REVOLUÇÃO GLORIOSA
4) (FGV-1998) A Revolução Gloriosa de 1688, na Inglaterra, teve como desfecho a assinatura da Declaração de Direitos por Guilherme de Orange. As medidas abaixo fazem parte do conteúdo da Declaração, com exceção de:
A) a orientação religiosa do rei poderia ser católica ou protestante;
B) os impostos só poderiam ser aumentados ou criados com a aprovação do Parlamento;
C) garantia do direito de expressão dos membros do Parlamento;
D) o rei não poderia impedir que as leis aprovadas pelo Parlamento entrassem em vigor;
GABARITO: A
Ainda que fosse assegurada a liberdade religiosa, esta não incluía o Catolicismo. Portanto não poderia ser admitida a condição de católico para o monarca

ABSOLUTISMO
5) (Enem – MEC)
I. Para o filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679), o estado de natureza é um estado de guerra universal e perpétua. Contraposto ao estado de natureza, entendido como estado de guerra, o estado de paz é a sociedade civilizada.
Dentre outras tendências que dialogam com as ideias de Hobbes, destaca-se a definida abaixo.
II. Nem todas as guerras são injustas e, correlativamente, nem toda paz é justa, razão pela qual a guerra nem sempre é um desvalor, e a paz nem sempre um valor.
BOBBIO, N. MATTEUCCI, N. e PASQUINO, G. Dicionário de Política. 5ed. Brasília: Universidade de Brasília. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2000.
Comparando as ideias de Hobbes (texto I) com a tendência citada no texto II, pode-se afirmar que:
a) em ambos, a guerra é entendida como inevitável e injusta.
b) para Hobbes, a paz é inerente à civilização e, segundo o texto II, ela não é um valor absoluto.
c) de acordo com Hobbes, a guerra é um valor absoluto e, segundo o texto II, a paz é sempre melhor que a guerra.
d) em ambos, a guerra ou a paz são boas quando o fim é justo.
e) para Hobbes, a paz liga-se à natureza e, de acordo com o texto II, à civilização.
GABARITO: B.
Hobbes contrapõe dois termos antagônicos, a guerra e a paz, aos dois estados do ser humano, respectivamente, o estado de natureza e a sociedade civilizada. Porém, o texto II coloca a guerra ou a paz não como termos absolutos, podendo haver injustiça na paz e justiça na guerra.


ABSOLUTISMO
6) (UFPI) A respeito do Estado Absolutista é correto afirmar:
a) o poder concentrava-se nas mãos do rei por ter este conseguido afastar a influência da nobreza.
b) Era caracterizado pela concentração do poder político nas mãos do rei e pela legitimação divina desse poder.
c) O poder do rei no Estado absolutista, além de carecer de justificação, era criticado por pensadores como Maquiavel e Hobbes. d) Na economia, o Absolutismo correspondeu ao período de transição do capitalismo para o feudalismo.
e) No plano político, a formação do Absolutismo correspondeu a uma necessidade de centralização do poder para adequar-se ao surgimento da nobreza.
GABARITO: B
O Absolutismo teve entre suas bases de sustentação a Teoria do Direito Divino de Bossuet, que justificava a autoridade do monarca como sendo uma manifestação da vontade de Deus.



REFORMAS RELIGIOSAS
7) “Em 1517, na cidade de Wittemberg o monge agostiniano Martin Luther, manifestando seu descontentamento com a doutrina e, em particular, com o comportamento do quadro clerical, escreveu e afixou na porta da catedral da cidade suas 95 teses, um conjunto de críticas que ele fazia a Igreja, sugerindo que essa adotasse um programa de reforma no culto e na doutrina.
Entretanto, essas idéias de Luther não sensibilizaram o Papa Leão X, que as considerou como manifestação de um “alemão bêbado”. Ao contrário do que esperava Luther, a Igreja, depois de algum tempo, deflagrou uma ação de repressão ao monge expulsando-o de seus quadros e excomungando-o.
Protegido por Príncipes alemães, Luther dedicou-se a traduzir a Bíblia para o alemão e a redigir sua doutrina, apresentada em 1536 na Confissão de Augsburg,  pelo seu amigo Felipe de Melanchton.
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a) Explique como a teoria da salvação contida na Doutrina Luterana, serviu de fundamento para o movimento camponês liderado por Thomas Muntzer, o Anabatismo. 
b) Em razão de que se pode dizer que o acordo firmado em 1555, que pôs fim a guerra civil na “Alemanha”, contribuiu para retardar a formação do Estado Nacional e a transição feudo-capitalista.
GABARITO
a)os camponeses liderados por Thomas Müntzer invadiram terras e mataram proprietários em nome da igualdade entre os homens, que Lutero fez constar em sua doutrina ao falar da salvação, como um direito de todos.
b)porque nesse acordo ficou estabelecido, que caberia aos Príncipes escolher em seus reinos a religião de seus súditos. De modo que isso fortaleceu o poder local dos mesmos em prejuízo da criação de poder nacional como era desejado por Carlos V Rei da Espanha com o apoio da Igreja Católica.

REFORMAS RELIGIOSAS
8) Com base no princípio da livre interpretação da Bíblia proposto por Martin Luther, desenvolveu-se, em Genebra, o movimento calvinista, que deu origem a uma nova doutrina, o Calvinismo.
Essa vertente do cristianismo repercutiu junto a burguesia mercantil de algumas áreas europeias,  que a adotou como profissão de fé.
Explique o conteúdo desta doutrina, que atraiu a burguesia mercantil e que transformou Calvino em teólogo do capitalismo, segundo Max Weber.
GABARITO: a Doutrina Calvinista ao proclamar a Predestinação como caminho da salvação, considerou que a riqueza poderia ser interpretada como uma manifestação de Deus para a salvação do homem. Segundo Calvino a riqueza se justificava desde que obtida de forma honesta e através do trabalho. Daí essa posição de parte da burguesia europeia em adotá-la.

REFORMAS RELIGIOSAS
9) Nesta conjuntura em que surgiram o luteranismo e o calvinismo, ocorreu um movimento reformista na Inglaterra, sob a liderança do monarca Henrique VIII, da dinastia Tudor. Indiscutivelmente, este movimento inglês traduziu muito mais os interesses políticos e econômicos do monarca do que propriamente uma divergência doutrinária entre ele e a Igreja Católica.
a) Com relação a criação do Anglicanismo, apresente a motivação política do monarca Henrique VIII para romper com a Igreja Católica.
b) Estabeleça a relação entre a publicação do Ato de Supremacia por Henrique VIII e a construção do absolutismo na Inglaterra.
GABARITO
a)Henrique VIII projetou reforçar seu poder político se afastasse a autoridade do Papa dos assuntos internos  ingleses. Daí ele ter rompido com a Igreja Católica eliminando o poder Supranacional do Pontífice na Inglaterra.

b)pelo Ato de Supremacia o monarca inglês e seus sucessores passaram a exercer o papel de chefe da Igreja Anglicana. Desse modo Henrique VIII passou a acumular o poder temporal de Rei com o poder espiritual como chefe da Igreja Nacional.







REFORMAS RELIGIOSAS
10) Após ignorar por algum tempo a ameaça protestante, a Igreja procurou reagir. Neste sentido, convocou o Concílio de Trento que definiu as medidas que deveriam ser tomadas para a contenção da expansão protestante e para a reafirmação e expansão da Doutrina Católica. Era a Contra Reforma.
a) Apresente os instrumentos de repressão utilizados pela Igreja contra o protestantismo na Europa.
b) Explique por que a repressão da Contra Reforma foi mais intensa em Portugal, na Espanha e na França. 
GABARITO
a)a Igreja Católica ao realizar o Concílio de Trento, definiu as políticas de contenção do Protestantismo e de reafirmação do Catolicismo. Entre as medidas de contenção, a Igreja utilizou o INDEX, o Índice de Livros Proibidos e o Tribunal do Santo Ofício ou da Inquisição, que julgava os que eram acusados de prática de heresia.
b)porque nesses Estados houve uma aliança de interesse entre os monarcas e a Igreja, em que esta lhes daria sustentação ideológica com a Teoria do Direito Divino e  eles a ajudariam reprimindo os não católicos entre eles protestantes, judeus e muçulmanos
RENASCIMENTO
11) Entre os séculos XIV e XVI, teve lugar na Europa o movimento renascentista, nascido na “Itália” e que se expandiu para grande parte do velho continente. O Renascimento fundamentou-se em princípios como o racionalismo, o antropocentrismo, o individualismo, o otimismo, o hedonismo e o classicismo e manifestou-se na literatura, na pintura, na arquitetura e na ciência. No renascimento surgiram nomes como Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Giovanne Boccaccio, Dante Alighieri, Galileu Galilei, Copérnico entre outros.
a) Explique por que há uma tendência da historiografia de considerar a prosperidade das Repúblicas Italianas como fator decisivo para o pioneirismo italiano na Renascimento. . 
b) Explique a relação entre a Contra Reforma e o declínio do Renascimento na Europa Católica, em meados do século XVI.
GABARITO:
a)a Historiografia considera que a prosperidade econômica das Repúblicas, possibilitou a acumulação de riqueza nas mãos da burguesia mercantil, sobretudo em Veneza e Gênova, que utilizou-a praticando o mecenato, ou seja, o patrocínio aos autores renascentistas.

b)o declínio do Renascimento de certo modo foi influenciado pela Contra Reforma, em que, através do INDEX e da Inquisição, a Igreja Católica reprimiu os autores. Nesse ponto a Igreja contou com o apoio dos Estados Absolutistas em troca da sustentação da teoria do Direito Divino dos Reis, que eles utilizavam.
REVOLUÇÃO PURITANA
12) No século XVII, na Inglaterra teve início a terminalidade da transição entre o Feudalismo e o Capitalismo com a ocorrência das Revoluções Puritana e Gloriosa em 1642 e 1688 respectivamente. Através destes movimentos, o absolutismo dos Stuarts foi extinto e instituiu-se, num primeiro momento a República (1649-58) e, por último a Monarquia Parlamentarista, em 1869 vigente até hoje naquele país.
Estas Revoluções, em particular a Gloriosa, foram decisivas para a criação das condições políticas necessárias para a Revolução Industrial no século seguinte.
a) Entre 1648 e 1658, a Inglaterra experimentou, pela única vez, uma forma aparentemente republicana de governo sob o comando do Lorde Protetor Oliver Cromwell. Este período foi marcado por um governo autoritário, que manteve o Parlamento fechado, mas que conciliou com os setores da gentry e da burguesia. Explique o Cercamento dos Campos e o Ato de Navegação como políticas adotadas pelo governo Cromwell que atenderam as aspirações da gentry e da burguesia.
b) Explique os movimentos dos Levellers e dos Digers promovidos pelos camponeses e descreva como o governo Cromwell os tratou.
GABARITO:
a)a experiência republicana inglesa com Oliver Cromwell caracterizou-se como uma ditadura em que o Lorde Protetor adotou políticas que beneficiaram diretamente a burguesia e a Gentry como: o Ato de Navegação de 1651, que determinou a exigência de utilização de navios britânicos para o transporte de produtos que entravam ou saíam da Inglaterra favorecendo os setores da construção naval e o mercantil; e o Cercamento dos Campos, que incentivou a formação dos latifúndios e o desaparecimento das terras comuns utilizadas pelos pequenos produtores.

b)os Levellers (niveladores) e os Digers (cavadores) constituíram-se em movimento camponeses em defesa do acesso a terra. Cromwell lançou sobre eles a repressão do Estado agradando aos grandes proprietários da Gentry.

RENASCIMENTO
13) Entre os séculos XIV e XVI ( dos trecentos aos cinquecentos) a sociedade europeia sofreu um processo de mudança de valores. Essa mudança foi ao encontro do segmento burguês que buscava se afirmar assim como aos seus valores numa sociedade ainda feudal. (...) a grosso modo,  a mudança, ora citada, foi contra a Igreja Católica, coluna e sustentação do Feudalismo, que, em razão isso reagiu e forma veemente buscando reafirmar muitos de seus valores. Reprimiu essa onde fé transformações não vacilando em levar a morte seus “detratores”.
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a)Identifique o movimento a que o texto faz referência.
b)Explique como a burguesia contribuiu para o desenvolvimento dessa nova cultura
c)Apresente e explique três princípios dessa nova cultura.
GABARITO:
a)Humanismo-Renascimento

b)a burguesia enriquecida com o comércio, utilizou a riqueza acumulada na prática do Mecenato através do qual ela buscava ser afirmar socialmente, assim como afirmar seus valores.

c)antropocentrismo: o homem como centro de tudo, racionalismo: a razão como fonte do conhecimento, classicismo: valorização dos elementos da cultura clássica.

REFORMAS RELIGIOSAS
14) (Cidade de Wittemberg na Alemanha)  No dia 31 de outubro de 1517, naquela cidade alemã, o jovem padre e professor de teologia Martinho Lutero afixou nas portas da catedral um documento contendo suas 95 teses. Nesse documento o jovem padre expunha sua inconformidade com a Igreja de Roma em relação a teoria da salvação, a liturgia da missa, ao celibato  em ter outras.
Segundo fontes não oficiais, o Papa Leão X reagiu ao fato dizendo:
Isso não passa de uma manifestação de um alemão bêbado.
Essa fala do Papa demonstra a pouca preocupação da Igreja ou e Roma com as insatisfações de Lutero. Entretanto vaticanistas alertaram que a região germânica estava vivendo um momento e turbulência política em razão do confronto entre os príncipes e o imperador Carlos V ( herdeiro do Sacro Império Romano Germânico ) e, segundo esses mesmos vaticanistas, esse quadro poderá dar a publicação de Lutero uma  repercussão que Roma não consiga controlar. Esses analistas temem pelo possa ocorrer. Alguns mais radicais acreditam no surgimento de uma dissidência séria a ponto de gerar uma nova Igreja. Mas só tempo dirá quem tem razão.
a)Explique a motivação do movimento anabatista, ocorrido na “Alemanha”, tendo o luteranismo como pano de fundo.
b)Explique a relação existente entre o calvinismo e o avanço das práticas capitalistas
c)Com relação a reação da Igreja Católica ao protestantismo, apresente duas medidas adotadas e identifique os países em a  Contra Reforma foi mais atuante.
GABARITO
a)os camponeses liderados por Thomas Müntzer invadiram terras e mataram proprietários em nome da igualdade entre os homens, que Lutero fez constar em sua doutrina ao falar da salvação, como um direito de todos.

b)a Doutrina Calvinista ao proclamar a Predestinação como caminho da salvação, considerou que a riqueza poderia ser interpretada como uma manifestação de Deus para a salvação do homem. Segundo Calvino a riqueza se justificava desde que obtida de forma honesta e através do trabalho. Daí essa posição de parte da burguesia europeia em adotá-la

c)a Igreja Católica ao realizar o Concílio de Trento, definiu as políticas de contenção do Protestantismo e de reafirmação do Catolicismo. Entre as medidas de contenção, a Igreja utilizou o INDEX, o Índice de Livros Proibidos e o Tribunal do Santo Ofício ou da Inquisição, que julgava os que eram acusados de prática de heresia. A Contra Reforma teve maior ênfase em Portugal, na Espanha e na França.





ABSOLUTISMO
15) “Entre os séculos XVI e XVIII, a Europa funcionou com base no ANTIGO REGIME, ou seja no Absolutismo e no Mercantilismo. Do ponto de vista político, o absolutismo foi a melhor representação da Idade Moderna com o poder concentrado nas mãos dos monarcas que tinham autoridade sobre todos os assuntos da nação fossem eles administrativos, políticos, religiosos, judiciais, econômicos ou militares. Do ponto de vista da economia, o período foi marcado pelo Mercantilismo, política econômica, que não teve teoria, funcionou com base em experimentações e que tinha como objetivo fortalecer o Estado e enriquecer a burguesia.
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a)Segundo Maquiavel o Príncipe não poderia ter limite para sua autoridade. Entretanto, na prática o poder absolutista não era exercido sem limites ou sem questionamentos. Explique essa contradição. 
b)Explique por que o Estado Moderno foi denominado estado da transição.
c)Com relação ao Mercantilismo britânico explique a política de estímulo aos setores naval e mercantil.  
GABARITO:
a)o poder absolutista apesar de justificado pelas teorias, entre as quais a de Maquiavel, dependia das alianças firmadas com os diferentes setores da sociedade como a nobreza, o clero e a burguesia. Portanto o monarca ficava refém dessas alianças, tendo que transigir, contemporizar, negociar com os seus aliados em detrimento do absolutismo monárquico.
b)porque nesse período se verificou a permanência de elementos feudais como a sociedade de privilégios e ao mesmo tempo o avanço de práticas mercantilistas, características da fase da acumulação primitiva do capital.
c)esse estímulo se deveu a aliança entre o Estado e a burguesia tanto no período da República de Cromwell, quanto na instalação do Parlamentarismo em 1689 o que justifica as medidas de estímulo a esses setores. Um exemplo disso foi a publicação dos Atos de Navegação de 1651 e de 1660.
AMÉRICA COLONIAL
16) Durante a Antiguidade, diferentes povos praticaram a navegação, aventuraram-se pelo Mar Mediterrâneo e fizeram dele a principal via para as trocas de mercadorias e de influências culturais. (...) Mesmo durante a Idade Média, o Mediterrâneo foi o mar mais singrado pelas embarcações europeias, sobretudo aquelas dos venezianos e genoveses.
Os homens do final da Idade Média conheciam o Mediterrâneo, mas temiam e sonhavam com o mar tenebroso, como era chamado o Oceano Atlântico. A Expansão Marítima é o nome que damos  aos processo pelo qual os europeus, enfrentando esses temores, partiram em busca de rotas comerciais mais rentáveis, das maravilhas que os relatos de viagens medievais indicavam existir no Oriente, das terras que trariam oportunidades de superar a crise europeia e fortalecer a nova classe que despontava: a burguesia comercial.
a)A expansão marítima europeia, da qual os portugueses foram pioneiros, Pode ser relacionada à centralização política, ocorrida precocemente em Portugal. Como podemos fazer essa relação?
b)Caracterize a 1ª etapa da conquista da América pelos espanhóis (1492-1532), marcada pela participação dos Adelantados.
c) A conquista da América pelos europeus representou uma grande tragédia para os povos que aqui viviam, pois grande parte deles hoje está desaparecida. Dentro do processo de extermínio das populações ameríndias a utilização delas como força de trabalho foi responsável por grande parte dele. Explique como se deu o processo de utilização do trabalho indígena pelo regime da MITA.
d)Caracterize a organização política e econômica das colônias inglesas de povoamento ( localizadas nas regiões do Norte e Centro das 13 colônias ) tendo como referência a  Negligência Salutar.
GABARITO:
a)porque a formação do Estado levou a formação de uma aliança com a burguesia mercantil, que viabilizou a expansão sob a direção do Estado responsável pela captação de recursos e pela segurança nas viagens ultramarinas.

b)nesse período a conquista da América Espanhola ficou a cargo dos particulares denominados Adelantados. Eles recebiam o direito de exploração econômica e de governança das áreas conquistadas. Aos Adelantados cabia respeitar a propriedade do território e o direito de monopólio do Estado nas as áreas conquistadas.

c)a Mita foi o regime de trabalho utilizado pela Espanha nas áreas de extração mineral no México e no Peru. Nela os índios eram supostamente trabalhadores assalariados.

d)nas colônias inglesas na América do Norte, aquelas localizadas nas áreas setentrionais e no centro, desfrutaram de uma autonomia política e econômica, que lhes permitiu escolher seus governos, criar suas leis, aplicar a justiça, emitir sua moeda, além de desenvolverem atividades manufatureiras e mercantis não subordinadas ao Pacto Colonial. Essa autonomia não era concedida pela Inglaterra, mas também, durante os primeiros 100 anos da colonização, não foi reprimida.
REVOLUÇÃO PURITANA
17) Em 1973, o ex-Beatle John Lennon escreveu uma canção de protesto intitulada A sorte dos irlandeses, que se refere a um conflito que dura até hoje:
Se você tivesse a sorte dos irlandeses,                          If you had the luck of the Irish,
Você se lamentaria e ia querer estar morto.                  You’d be sorry and wish you were dead
Você devia ter a sorte dos irlandeses                            You should have the luck of the Irish
E aí você ia querer ser inglês!                                        And you”d wish you was english instead!
a)Identifique o conflito ao qual a canção se refere.
b)Explique por que existe uma relação entre este conflito e o líder da Revolução Inglesa Oliver Cromwell.
GABARITO:
a)A letra de John Lennon faz referência ao conflito entre católicos e protestantes na Irlanda. Uma luta que transcende a questão religiosa e traduz a luta dos católicos (minoria) pela emancipação do território, rejeitada pela maioria protestante pró Reino Unido. Lennon escreveu essa letra após o episódio conhecido como O Domingo Sangrento, que vitimou 13 pessoas vítimas da ofensiva do Exército Britânico.

b)Oliver Cromwell, o Lorde Protetor, contribuiu para acirrar as relações entre católicos e protestantes ao promover o confisco das terras dos católicos para incentivar o Cercamento dos Campos.

REVOLUÇÃO GLORIOSA
18) “o pretenso direito da autoridade real de suspender as leis a sua execução é ilegal. O pretenso direito da autoridade real de se dispensar das leis ou da sua execução é ilegal”.
                                                                                  (Declaração de Direitos de 1689)
Explique a principal transformação política ocorrida na Inglaterra em decorrência da publicação desta Declaração.
GABARITO:
A Declaração dos Direitos resultou da Revolução Gloriosa. Nessa Revolução instituiu-se o sistema Parlamentarista de governo, vigente até hoje, ele transferiu o poder para as mãos do Parlamento, que detém a autoridade para indicar o Chefe de Governo, o Primeiro Ministro.

REFORMAS RELIGIOSAS
19)  “Em 1517, na cidade de Wittemberg o monge agostiniano Martin Luther, manifestando seu descontentamento com a doutrina e, em particular, com o comportamento do quadro clerical, escreveu e afixou na porta da catedral da cidade suas 95 teses, um conjunto de críticas que ele fazia a Igreja, sugerindo que essa adotasse um programa de reforma no culto e na doutrina.
Entretanto, essas idéias de Luther não sensibilizaram o Papa Leão X, que considerou-as como manifestação de um “alemão bêbado”. Ao contrário do que esperava Luther, a Igreja, depois de algum tempo, deflagrou uma ação de repressão ao monge expulsando-o de seus quadros e excomungando-o.
Protegido por Príncipes alemães, Luther dedicou-se a traduzir a Bíblia para o alemão e a redigir sua doutrina, apresentada em 1536 na Confissão de Augsburgo pelo seu amigo Felipe de Melanchton.”
a) Explique como a Teoria da Salvação da Doutrina Luterana, serviu de fundamento para o movimento camponês liderado por Thomas Muntzer, o Anabatismo. 
b) Em razão de que se pode dizer que o acordo firmado em 1555, que pôs fim a guerra civil na “Alemanha”, contribuiu para retardar a formação do Estado Nacional e a transição feudo-capitalista.
GABARITO:
a)Na sua doutrina Lutero defendeu o direito à salvação para todos os homens, por considera-los iguais perante a Deus. Com base nesse princípio os camponeses, liderados por Thomas Müntzer, promoveram atos de invasão de terras, que resultaram na morte de vários proprietários.

b)Na Paz de Augsburgo firmada em 1555, ficou decidido que cada Príncipe em seu reino teria o direito de escolher a religião de seus súditos. Essa decisão os fortaleceu como autoridade política local em prejuízo da construção do Estado Nacional.


REFORMAS RELIGIOSAS
20) Com base no princípio da livre interpretação da Bíblia proposto por Martinho Lutero, desenvolveu-se em Genebra, o movimento calvinista, que deu origem a uma nova doutrina, o Calvinismo. Essa vertente do cristianismo repercutiu junto a burguesia mercantil de algumas áreas europeias que a adotou como profissão de fé.
Explique o conteúdo desta doutrina, que atraiu a burguesia mercantil e que transformou Calvino em teólogo do capitalismo, segundo Max Weber. 
GABARITO:
A Doutrina Calvinista considerou a predestinação como princípio da salvação e a prosperidade como um sinal da vontade de Deus, desde que obtida de forma honesta e pelo trabalho. Desse modo o Calvinismo justificou a acumulação da riqueza nas mãos da burguesia, livrando-a do pecado do lucro como afirmava a Igreja Católica.
REFORMAS RELIGIOSAS
21) Nesta conjuntura em que surgiram o luteranismo e o calvinismo, ocorreu um movimento reformista na Inglaterra, sob a liderança do monarca Henrique VIII, da dinastia Tudor. Indiscutivelmente, este movimento inglês traduziu muito mais os interesses políticos e econômicos do monarca do que propriamente uma divergência doutrinária entre ele e a Igreja Católica.
a) Com relação a criação do Anglicanismo, apresente a motivação política do monarca Henrique VIII para romper com a Igreja Católica. 
b) Estabeleça a relação entre a publicação do Ato de Supremacia por Henrique VIII e a construção do absolutismo na Inglaterra.
GABARITO:
a)Do ponto de vista político, a ruptura de Henrique VIII com a Igreja Católica deveu-se ao interesse do monarca de afastar o Poder Supranacional exercido pelo Papa no território britânico.

b)O Ato de Supremacia de 1534 atribuiu ao monarca a condição de chefe da Igreja Anglicana. Desse modo o monarca britânico acumulou o poder temporal e o poder espiritual, daí a criação do absolutismo britânico.
REFORMAS RELIGIOSAS
22)  Após ignorar por algum tempo a ameaça protestante, a Igreja procurou reagir. Neste sentido, convocou o Concílio de Trento que definiu as medidas que deveriam ser tomadas para a contenção da expansão protestante e para a reafirmação e expansão da Doutrina Católica. Era a Contra Reforma.
a) Apresente os instrumentos de repressão utilizados pela Igreja contra o protestantismo na Europa.
b) Explique por que a repressão da Contra Reforma foi mais intensa em Portugal, na Espanha e na França. 
GABARITO:
a)A Contra Reforma da Igreja Católica lançou mão do Tribunal do Santo Ofício ou da Inquisição e do INDEX como instrumentos da repressão aos não católicos.

b)Eram eles Estados Católicos, cujos monarcas se valiam da Teoria dos Direito Divino dos Reis e em razão disso se fez uma aliança entre a Igreja e o Estado. Dessa forma a Igreja dava suporte ideológico ao Estado e este a apoiava na repressão aos não católicos.
RENASCIMENTO
23) Entre os séculos XIV e XVI, teve lugar na Europa o movimento renascentista, nascido na “Itália” e que expandiu-se para grande parte do velho continente. O Renascimento fundamentou-se em princípios como o racionalismo, o antropocentrismo, o individualismo, o otimismo, o hedonismo e o classicismo e manifestou-se na literatura, na pintura, na arquitetura e na ciência. No renascimento surgiram nomes como Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Giovanne Boccaccio, Dante Alighieri, Galileu Galilei, Copérnico entre outros.
a) Explique por que há uma tendência da historiografia de considerar a prosperidade das Repúblicas Italianas como fator decisivo para o pioneirismo italiano na Renascimento.
b) Apresente os fatores que contribuíram para a propagação do Renascimento para outros países europeus como Portugal, Espanha e Inglaterra. 
c) Explique a relação entre a Contra Reforma e o declínio do Renascimento na Europa Católica, em meados do século XVI.
GABARITO:
a)O pioneirismo italiano no Renascimento é explicado pela prosperidade econômica das Repúblicas, dado o papel decisivo dos mecenas como patrocinadores da cultura.
b)O Renascimento propagou-se na Europa como resultado das relações de comércio entre os italianos e outros países do continente.
c)Na  Contra Reforma a Igreja Católica lançou mão do Index como instrumento de repressão à literatura e à ciência e fez uso do Tribunal da Inquisição contra os seus autores. As obras renascentistas foram alvos dessa repressão.
REVOLUÇÃO PURITANA
24)  No século XVII, na Inglaterra teve início a terminalidade da transição entre o Feudalismo e o Capitalismo com a ocorrência das Revoluções Puritana e Gloriosa em 1642 e 1688 respectivamente. Através destes movimentos, o absolutismo dos Stuarts foi extinto e instituiu-se, num primeiro momento a República (1649-58) e, por último a Monarquia Parlamentarista, em 1869  vigente até hoje naquele país.
Estas Revoluções, em particular a Gloriosa, foram decisivas para a criação das condições políticas necessárias para a Revolução Industrial no século seguinte.
a) Entre 1648 e 1658, a Inglaterra experimentou, pela única vez, uma forma aparentemente republicana de governo sob o comando do Lorde Protetor Oliver Cromwell. Este período foi marcado por um governo autoritário, que manteve o Parlamento fechado, mas que conciliou com os setores da gentry e da burguesia. Explique o Cercamento dos Campos e o Ato de Navegação como políticas adotadas pelo governo Cromwell que atenderam as aspirações da gentry e da burguesia.
c) Explique os movimentos dos Levellers e dos Digers promovidos pelos camponeses e descreva como o governo Cromwell os tratou.
GABARITO:
a)No governo Cromwell houve ênfase ao Cercamento dos Campos atendendo aos interesses da Gentry a nova elite proprietária de terras, como também estimulou os setores  da construção naval e  mercantil com o Ato de Navegação de 1651, que estabeleceu o monopólio da Marinha Mercante inglesa sobre o transporte de mercadorias que entrassem ou saíssem da Inglaterra ou de suas colônias.

b)Esses movimentos representaram a luta camponesa pelo acesso à terra. Oliver Cromwell lançou sobre eles os instrumentos de repressão do Estado.
ABSOLUTISMO/MERCANTILISMO
25)  “(...) Entre os séculos XVI e XVIII, na Europa, houve a construção daquilo que a historiografia francesa classificou como Antigo Regime constituído no plano político pelo Estado Moderno, no plano econômico pelo mercantilismo e no plano social pela sociedade de privilégios ou estamental.
No campo ideológico o Antigo Regime contou com o suporte de teorias absolutistas como as de Jacques Bossuet, Jean Bodin, Lê Bret, Thomas Hobbes, Hugo Grotius e Nicolau Maquiavel e no campo político sustentou-se a partir de um arco de alianças entre a monarquia e os segmentos sociais da burguesia, da nobreza e do clero(...)”.
a) Considerando-se que aliança política deve ser entendida como uma via de mão dupla, explique a aliança entre os monarcas absolutistas e burguesia mercantil.
b) Alguns historiadores constatam uma contradição entre as teorias e a ação de governo dos monarcas absolutistas. Como se explica essa contradição?
c) Compare as teorias e Hobbes e de Bossuet como justificadoras do absolutismo.
GABARITO:
a)A aliança rei-burguesia estabelecia o compromisso do monarca em extinguir os entraves ao comércio decorrentes da ordem feudal, como: a unificação da moeda, uniformização da justiça, do sistema de pesos e medidas e dos impostos. Pelo lado da burguesia a aliança previa a concessão de recursos financeiros e materiais ao monarca para a criação do Exército Nacional, tornado instrumento da unificação.

b)Essa contradição se manifesta em razão das alianças políticas celebradas pelos monarcas e os setores da sociedade. Desse modo o monarca estava obrigado a negociar, transigir e contemporizar com aqueles que se tornaram seus aliados.
Assim a ideia de que o monarca era uma autoridade acima de tudo e de todos, sofria a restrição das alianças.

c)Jacques Bossuet é um representante da Teoria do Direito Divino dos Reis. Nela Bossuet defendeu a ideia de que o monarca era uma manifestação da vontade de Deus, daí o fato de sua autoridade ser incontestável.
Thomas Hobbes é o autor da Teoria do Contrato Social. Nela Hobbes considera que o monarca deveria exercer um poder inquestionável como necessário para proporcionar a nação as condições de segurança e de desenvolvimento. A sociedade caberia respeitar sua autoridade.
MERCANTILISMO
26) (UFMG 2011)  Leia este trecho: Este fluxo de prata é despejado em um país protecionista, barricado de alfândegas. Nada sai ou entra em Espanha sem o consentimento de um governo desconfiado, tenaz em vigiar as entradas e as saídas de metais preciosos. Em princípio, a enorme fortuna americana vem, portanto, terminar num vaso fechado. Mas o fecho não é perfeito [...] Ou dir-se-ia tão comumente que os Reinos de Espanha são as “Índias dos outros Reinos Estrangeiros”.  BRAUDEL, Fernand. O Mediterrâneo e o mundo mediterrânico à época de Felipe II. Lisboa: Martins Fontes, 1983-1984, v.1, p. 523-527.
a) Identifique a prática econômica a que se faz referência nesse texto.
b) Cite o principal objetivo dessa prática.
c) Mas o fecho não era perfeito [...] Ou dir-se-ia tão comumente que os Reinos de Espanha são as “Índias dos outros Reinos Estrangeiros”. Explique o sentido histórico dessa frase.
GABARITO:
a) Refere-se ao metalismo, prática adotada pelos países mercantilistas durante a Época Moderna.

b) O principal objetivo é o entesouramento, ou seja, o acúmulo de metais preciosos na nação, estes considerados como sinônimo de riqueza.

c) A frase destaca a imperfeição do sistema, na medida em que a Espanha não consegue reter os metais preciosos que explora de suas colônias americanas. Nesse sentido, assim como as colônias garantem a riqueza da Espanha, esta, ao precisar de produtos de nações europeias garante a riqueza destas nações.

MERCANTILISMO
27) (Unifesp 2010) Mercantilismo é o nome normalmente dado à política econômica de alguns Estados Modernos europeus, desenvolvida entre os séculos XV e XVIII. Indique
a) duas características do Mercantilismo.
b) a relação entre o Mercantilismo e a colonização da América.
GABARITO:
a) O mercantilismo é definido como a política econômica do Estado Absolutista, caracterizado por metalismo, - na medida em que considera que são os metais preciosos que definem a riqueza da nação - intervencionismo, protecionismos estatais e Balança comercial favorável.

b) A América foi considerada como área fornecedora de riquezas. Os metais extraídos da América gerariam as riquezas das nações metropolitanas, assim como os gêneros tropicais que podiam ser comercializados na Europa. Dessa forma, as metrópoles definiram o pacto colonial, caracterizado pelo monopólio, que garantia controle exclusivo sobre as áreas coloniais.

ABSOLUTISMO/MERCANTILISMO
28) (Fuvest 2009) “Da armada dependem as colônias, das colônias depende o comércio, do comércio, a capacidade de um Estado manter exércitos numerosos, aumentar a sua população e tornar possíveis as mais gloriosas e úteis empresas.” Essa afirmação do duque de Choiseul (1719-1785) expressa bem a natureza e o caráter do
a) liberalismo.
b) feudalismo.
c) mercantilismo.
d) escravismo.
e) corporativismo.
GABRITO: C - Características como o sistema colonial e o incentivo ao comércio fazem parte da Política Econômica Mercantilista, típica dos Governos Absolutistas, que monopolizam a força militar e se beneficiam do desenvolvimento comercial de suas nações.

MERCANTILISMO
29) (cftce 2004) Durante a Idade Moderna, a Europa estruturou o chamado Estado Moderno que possuía basicamente três elementos fundamentais: o Absolutismo Monárquico, o Mercantilismo e o Colonialismo. Tais elementos mantinham estreitas e inseparáveis relações. A partir da condição acima citada, cite três características básicas do Mercantilismo.
GABARITO:
Intervenção do Estado na economia, manutenção de balança comercial favorável, protecionismo alfandegário, metalismo, exploração econômica das colônias americanas.


EXPANSIONISMO EUROPEU
30) (UFV-MG) Considerando as peculiaridades da colonização europeia no Novo Mundo, numere a segunda coluna de acordo com a primeira e assinale a alternativa que constitui a sequência numérica correta.
1 – Espanha   2 – França   3 – Holanda   4 – Inglaterra   5 – Portugal

(  ) Não respeitava o tratado de Tordesilhas. Foi o primeiro país a fazer uma tentativa séria de colonização no Canadá.
(  ) Possuía o principal banco da Europa. Criou a Companhia das índias Ocidentais.
(  ) Seus filhos nascidos na América tinham situação social inferior à dos nascidos no país de origem.
(  ) Buscava metais preciosos e não explorava a agricultura.
(  ) Inicialmente, mandou algumas expedições exploratórias para conhecer as possibilidades da terra. Somente com o declínio do comercio de especiarias passou a cultivar suas terras na América.
(  ) Sua colonização teve caráter ocupacional. Buscava terras, liberdade religiosa e política, além do enaltecimento nacional.
a) 1,5,3,4 e 2
b) 3,1,4,2 e 5
c) 5,4,2,3 e 1
d) 4,2, 5,1 e 3
e) 2,3,1,5 e 4
GABARITO: E
EXPANSIONISMO EUROPEU
31)(Unicamp-SP) Contestando o tratado de Tordesilhas, o rei da França, Francisco I, declarou em 1540: "Gostaria de ver o testamento de Adão para saber de que forma este dividira o mundo".
(Citado por VICENTINO, Cláudio. História geral. São Paulo: Scipione, 1991.)
a) O que foi o tratado de Tordesilhas?
b) Por que alguns países da Europa, como a França, contestavam aquele tratado?
GABARITO:
a) Foi o tratado assinado em 1494 entre Portugal e Espanha, dividindo as terras descobertas ou por descobrir por um meridiano traçado 370 léguas a oeste de Cabo Verde: as terras a leste dele pertenceriam a Portugal e aquelas situadas a oeste, à Espanha.
b) O tratado foi contestado por ter levado em consideração apenas os interesses de Portugal e Espanha, excluindo os demais países europeus da partilha das terras ultramarinas.
REVOLUÇÃO GLORIOSA
32) (Fatec-SP) A Revolução Inglesa de 1688 – a Revolução Gloriosa – assinala um momento significativo na adoção dos princípios do liberalismo. Entre as medidas adotadas então, e que confirmam essa afirmação, destacam-se:
a) a exclusão da nobreza do Parlamento, garantindo-se assim a maioria da burguesia, e a abolição das sociedades por ações na organização das empresas industriais.
b) o reconhecimento da Declaração de Direitos, limitando o poder do rei em face do Parlamento, e a promulgação do Ato de Tolerância, pondo fim à perseguição religiosa contra os dissidentes protestantes.
c) a revogação dos Atos de Navegação, que protegiam determinados grupos mercantis, e o reconhecimento do direito de organização para os trabalhadores urbanos.
d) a abolição dos tributos feudais da posse da terra e dos censos eleitorais para o preenchimento das cadeiras do Parlamento.
e) a eliminação dos Tories, partidários de um poder real forte, e a devolução aos camponeses das terras usurpadas durante os cercamentos.
GABRITO: B
AMÉRICA COLONIAL
33) (Cesgranrio-RJ) Sobre as características da colonização europeia na América, são corretas as opções a seguir, com exceção de uma. Assinale-a.
Características Colonização inglesa Colonização francesa Colonização espanhola
a) Organização da mão-de-obra indígena através da encomienda e da mita (colonização espanhola).  
b) Utilização de mão-de-obra escrava nas plantations (Caribe). (colonização inglesa) 
b) Utilização de mão-de-obra escrava nas plantations (Caribe). (colonização francesa) 
d) Organização social de base aristocrática, diferenciando chapetones e criollos.  (colonização espanhola)
e) Organização social favorável à miscigenação entre brancos e índios (as Treze Colônias)
GABARITO: E – Nas diferentes áreas coloniais não houve, em nenhuma delas, uma política de miscigenação.
EXPANSIONISMO EUROPEU/COLONIALISMO
34) (Fuvest-SP) "Para o conjunto da economia europeia, no século XVI, caracterizada pela produção em crescimento e pelo grande aumento das transações mercantis, ao lado de um novo crescimento de sua população, o efeito mais importante dos grandes descobrimentos foi a alta geral dos preços..."
O efeito a que o texto se refere foi provocado:
a) pelo grande afluxo de metais preciosos
b) pela ampliação das áreas de produção agrícola
c) pela redução do consumo de produtos manufaturados
d) pela descoberta de novas rotas comerciais no Oriente
e) pelo deslocamento do eixo comercial para o Mediterrâneo
GABARITO: A – A entrada em grande escala do ouro e prata oriundos da América Espanhola, ocasionou uma inflação, que foi chamada de revolução dos preços.
ESTADOS NACIONAIS/ABSOLUTISMOI
35) Explique as principais característica dos Estados Nacionais Modernos da Europa do século XVI e como sua formação foi importante para as expansões comerciais e marítimas.
GABARITO:
A principal característica dos Estados Nacionais Modernos é o poder centralizado nas mãos do monarca; a língua e a moeda nacionais definidas e os limites territoriais da nação bem demarcados. A formação dos Estados Nacionais,  foi importante para as grandes navegações visto que houve uma aproximação da burguesia com os monarcas, que garantiram o monopólio e o investimento das grandes expansões marítimas que tiveram  como consequência a conquista
do Novo Mundo, ou seja a América.
RENASCIMENTO
36) Nicolau Maquiavel foi um pensador florentino que viveu na época do Renascimento. Ele é considerado um dos fundadores do pensamento político moderno e suas ideias serviram de base para a constituição do Absolutismo monárquico. Identifique duas práticas do Absolutismo monárquico, defendidas por Maquiavel:.
GABARITO
Nicolau Maquiavel é considerado um dos fundadores do pensamento político moderno. Suas ideias, principalmente aquelas explicitados na obra O Príncipe, serviram de base para a constituição da soberania real durante o Absolutismo. Nesse texto, como mostra o fragmento, defende-se, por exemplo, a concentração do poder político nas mãos do príncipe –único soberano–, o que seria facilitado pelo estabelecimento do monopólio da força, ou seja, pela formação de um exército regular. Contudo, apesar da defesa da soberania real, Maquiavel deixa claro que cabe ao soberano o respeito às leis fundamentais do reino, muitas das quais baseadas na tradição, na antiguidade. Na prática, esses princípios serviam como um limite ao sistema absolutista que caracterizou a Idade Moderna europeia.
EXPANSIONISMO EUROPEU
37) (Ufrrj) Leia o texto adiante sobre a expansão comercial e marítima portuguesa e, com base nele, responda às questões a seguir. Em 1498, o português Vasco da Gama consegue chegar a Calicute, nas Índias, contornando o Cabo da Boa Esperança. Em seguida, as frotas portuguesas procuraram estabelecer um maior controle do oceano Índico. À medida que as rotas de navegação se consolidam, Portugal centraliza o comércio das especiarias alterando o papel a ser desempenhado pelas cidades de Gênova e Veneza.
THEODORO, J. "Descobrimentos e Renascimento". São Paulo: Contexto, 1991. p. 20.
a) Mencione duas razões que explicam o pioneirismo português nas navegações e descobrimentos dos séculos XV e XVI.
b) Estabeleça uma relação entre práticas mercantilistas e a assim chamada expansão comercial e marítima.
GABARITO:                  
a) O pioneirismo português nas Grandes Navegações pode ser explicado pela centralização política precoce de Portugal no contexto da Guerra de Reconquista contra os mouros (muçulmanos) na Península Ibérica. Além disso, ocorreu a consolidação e o fortalecimento do Estado Nacional com a Revolução de Avis (1383-1385) que promoveu uma aproximação entre o rei e a burguesia mercantil, condição que assegurava o gerenciamento da empreitada por parte do Estado e os recursos financeiros junto aos burgueses.

b) As conquistas decorrentes da Expansão Marítima e Comercial proporcionaram a possibilidade de aumento dos lucros para a burguesia mercantil e o aumento da arrecadação de impostos pelo Estado, adequando-se assim, à política econômica mercantilista.


EXPANSIONISMO EUROPEU
38) (Unicamp) A expansão marítima da Península Ibérica (Espanha e Portugal) nas Américas foi orientada por um projeto colonizador que, além da exploração econômica das terras, tinha por objetivo a imposição de uma cultura europeia e cristã. Qual foi o papel da Igreja Católica nesse projeto colonizador?
GABARITO:
A Igreja Católica deu suporte para Portugal e Espanha concretizarem suas ambições mercantis e foi grande aliada dos estados europeus em questão no processo de europeização e cristianização que se estabeleceu no Novo Mundo.
EXPANSIONISMO EUROPEU
39) (Pucmg) Sobre o expansionismo ultramarino europeu, entre os séculos XV-XVII, é correto afirmar que, EXCETO:
a) a tomada de Constantinopla pelos turcos e a segunda conquista de Ceuta pelos portugueses são os marcos iniciais da expansão.
b) os descobrimentos e a colonização das terras do Novo Mundo constituíram-se num desdobramento da expansão comercial.
c) o afluxo de metais preciosos das áreas coloniais, principalmente ouro e prata, contribuiu para a superação da crise econômica europeia.
d) o deslocamento do eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico contribuiu para a ampliação das fronteiras geográficas.
e) a consolidação dos Estados Nacionais e a absolutização dos regimes europeus têm relação também com os efeitos das viagens ultramarinas.
GABARITO: A – A tomada de Constantinopla em 1453 acelerou o processo das Grandes Navegações, cujo início se deu com a conquista de Ceuta pelos portugueses em 1415.
EXPANSÃO MARÍTIMA
40) (Unicamp) Contestando o Tratado de Tordesilhas, o rei da França, Francisco I, declarou em 1540: "Gostaria de ver o testamento de Adão para saber de que forma este dividira o mundo."
(Citado por Cláudio Vicentino, HISTÓRIA GERAL, 1991)
a) O que foi o Tratado de Tordesilhas?
b) Por que alguns países da Europa, como a França, contestavam aquele tratado?
GABARITO:
a) O Tratado de Tordesilhas estabeleceu os limites das terras conquistadas e a serem conquistadas entre Portugal e Espanha.
b) Os países europeus excluídos dessa partilha, destacando-se a França, passam a questionar o tratado e a exigir o acesso às possessões coloniais de Portugal e da Espanha.
AMÉRICA COLONIAL
41) (PUC-Rio) A conquista e a colonização europeia na América, entre os séculos XVI e XVII, condicionaram a formação de sociedades coloniais diversas e particulares. Sobre tais sociedades podemos afirmar que:
I – Nas áreas de colonização espanhola, explorou-se exclusivamente a força de trabalho das populações ameríndias, sob a forma de relações servis, como a mita e a encomenda;
II – Nas áreas de colonização portuguesa, particularmente nas áreas destinadas ao fabrico do açúcar, foi empregada, em larga escala, a mão de obra de negros africanos e/ou de indígenas locais;
III – Ao norte do litoral atlântico norte-americano, área de colonização inglesa, houve o estabelecimento de pequenas e médias propriedades, nas quais se utilizou tanto o trabalho livre quanto a servidão por contrato;
IV – Na região do Caribe, em áreas de colonização inglesa e francesa, assistiu-se à implantação da grande lavoura, voltada para a exportação e assentada no uso predominante de mão de obra de escravos africanos.
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas as afirmativas I e II estão corretas.
b) Apenas as afirmativas I, II e III estão corretas.
c) Apenas as afirmativas II, III e IV estão corretas.
d) Apenas as afirmativas I, III e IV estão corretas.
e) Todas as afirmativas estão corretas
GABARITO:
Letra C. A afirmativa I está incorreta por dizer que a mão de obra utilizada nas áreas de colonização espanhola era exclusivamente ameríndia, o que não é correto, pois houve a utilização de mão de obra de africanos escravizados em algumas regiões, como no Vice-Reino de Nova Granada.

AMÉRICA COLONIAL
42) (UFRJ) Leia o texto a seguir:
Um dos períodos [da história do México] mais riscados, apagados e emendados com maior fúria tem sido o da Nova Espanha. [...] A Nova Espanha não se parece com o México pré-colombiano nem com ao atual. E muito menos com a Espanha, embora tenha sido um território submetido à coroa espanhola.
PAZ. O. Sóror Juana Inés de la Cruz: As artimanhas da fé. São Paulo: Mandarin, 1998.
Sobre a sociedade colonial construída em Nova Espanha, é correto afirmar:
a) se apoiava, como na sociedade colonial brasileira, em uma visão bipolar entre senhores europeus de um lado e escravos africanos de outro, visto que os indígenas haviam sido quase absolutamente exterminados no processo de conquista por doenças ou pela violência do colonizador.
b) se distinguia de outras sociedades coloniais, pois as diferenças sociais presentes nela eram de classe e não de cunho étnico: não importava a cor da pele para a determinação de um lugar social, mas as posses de um indivíduo.
c) se tratava, como em outras sociedades coloniais, de uma sociedade de superiores e de inferiores que, entretanto, reconhecia os mestiços, filhos de senhores brancos com mulheres indígenas, como fazendo parte da elite política local, sendo chamados criollos.
d) recaíam, exclusivamente, os privilégios da sociedade colonial sobre a minoria branca que apresentava, contudo uma divisão interna entre aqueles brancos nascidos na Europa, ocupantes dos cargos de nível superior, e aqueles nascidos na América, ocupantes de posições claramente secundárias na hierarquia social.
e) se constituía em uma sociedade com uma estrutura hierárquica bem clara, em cuja base se encontravam os grupos desprovidos de quaisquer direitos sociais: índios e negros africanos, ambos trabalhando como escravos e sendo tratados exclusivamente como mercadoria, vendidos e comprados em grandes mercados nas principais cidades mexicanas.
GABARITO:
Letra D. As alternativas a e e estão incorretas por indicar a existência de diferenciação entre senhores e escravos, o que não ocorreu na região; a b por indicar que a diferença era de classe, e não de cunho étnico, quando houve uma inferiorização do indígena; e c por afirmar que havia o reconhecimento dos mestiços como criollos, sendo que esses eram os filhos de pais e mãe espanhóis nascidos na América.
AMÉRICA COLONIAL
43) Leia o texto abaixo e responda posteriormente ao que é pedido.
“Nos anos 1575-1600, Potosí produziu talvez a metade de toda a prata hispano-americana. Tal profusão de prata não teria vindo à tona sem a concomitante abundância de mercúrio de Huancavélica, que naqueles mesmos anos estava também produzindo como  nunca havia feito. Outro estimulante para Potosí foi claramente a mão de obra barata fornecida através da mita de Toledo.”
BETHELL, Leslie (org.). História da América Latina. in: América Latina Colonial. v. 2. São Paulo: Edusp, 1999. p. 141.
Como indicado no texto, os espanhóis utilizaram um sistema de trabalho denominado mita, que consistia:
a) no trabalho obrigatório e temporário, mobilizando mão de obra indígena geralmente escolhida por sorteio entre as tribos, sendo deslocada para qualquer região da colônia.
b) no emprego de tribos inteiras de indígenas, dirigidas por seus chefes naturais, assegurando ainda a instrução cristã dos envolvidos.
c) no trabalho compulsório e permanente de escravos que chegavam ao porto de Toledo.
d) em contratos de servidão realizados entre espanhóis e astecas.
e) em um sistema de servidão por dívidas, pois com a desintegração da economia tradicional indígena, esses foram obrigados a adquirir produtos vindos da Europa.
GABARITO:
Letra A. A mita consistiu em uma das formas de obrigar os indígenas americanos nas colônias espanholas a trabalharem, principalmente nas minas. As condições de trabalho eram péssimas, insalubres, e o retorno em troca do trabalho dispendido era irrisório.
AMÉRICA COLONIAL
44) Leia o texto abaixo:
“Aqueles que foram de Espanha para esses países (e se têm na conta de cristãos) usaram de duas maneiras gerais e principais para extirpar da face da terra aquelas míseras nações. Uma foi a guerra injusta, cruel, tirânica e sangrenta. Outra foi matar todos aqueles que podiam ainda respirar ou suspirar e pensar em recobrar a liberdade ou subtrair-se aos tormentos que suportam, como fazem todos os senhores naturais e os homens valorosos e fortes; pois comumente na guerra não deixam viver senão mulheres e crianças: e depois oprimem-nos com a mais horrível e áspera servidão a que jamais tenham submetido homens ou animais.”
LAS CASAS, Frei Bartolomeu de. O paraíso destruído. Brevíssima relação da destruição das Índias [1552]. Porto Alegra: L&PM, 2001.
O trecho do texto de Las Casas aponta o processo de dizimação das populações indígenas americanas por parte dos espanhóis. Além da guerra, os processos de trabalho e o controle disciplinar imposto resultaram na morte de milhões de habitantes nativos da América. Dentre os processos de trabalho impostos aos indígenas e que resultaram em sua mortandade, destaca-se:
a) a escravidão imposta a eles, semelhante a dos africanos levados à América para trabalhar na extração de metais.
b) a encomienda, um processo de trabalho compulsório imposto a toda uma tribo para executar serviços agrícolas e extrativistas.
c) o assalariamento, pago em valores muito baixos e geralmente em espécie.
d) a parceria, onde os indígenas eram obrigados a trabalhar na agricultura e nas minas, destinando dois terços da produção aos espanhóis.
GABARITO:
Letra B. A encomienda e a mita foram as principais formas de exploração do trabalho indígena realizada pelos espanhóis, causando um grande número de mortos e a condenação de inúmeros clérigos e leigos à ação espanhola na América
AMÉRICA COLONIAL
45) Potosí foi um dos principais locais de exploração de riquezas naturais utilizadas pela coroa espanhola durante a colonização da América. Em Potosí, os espanhóis fizeram com que os indígenas extraíssem cerca de metade:
a) do ouro explorado nas Américas.
b) do mercúrio necessário à obtenção da prata.
c) do sal comercializado na Europa.
d) dos diamantes que enriqueceram a coroa espanhola.
e) da prata conseguida pelos espanhóis na América.
GABARITO:
Letra E. Potosí foi a maior mina de prata encontrada e explorada pelos espanhóis em solo americano.
MERCANTILISMO INGLÊS
46) PUC-RJ) “Para o progresso do armamento marítimo e da navegação, que sob a boa providência e proteção divina interessam tanto à prosperidade, à segurança e ao poderio deste reino [...], nenhuma mercadoria será importada ou exportada dos países, ilhas, plantações ou territórios pertencentes à Sua Majestade, ou em possessão de Sua Majestade, na Ásia, América e África, noutros navios senão nos que [...] pertencem a súditos ingleses [...] e que são comandados por um capitão inglês e tripulados por uma equipagem com três quartos de ingleses [...], nenhum estrangeiro [...] poderá exercer o ofício de mercador ou corretor num dos lugares supracitados, sob pena de confisco de todos os seus bens e mercadorias [...]”.

Segundo Ato de Navegação de 1660. In: Pierre Deyon. O mercantilismo. São Paulo: Perspectiva, 1973, p. 94-95.
Por meio do Ato de Navegação de 1660, o governo inglês:

a) estabelecia que todas as mercadorias comercializadas por qualquer país europeu fossem transportadas por navios ingleses.
b) monopolizava seu próprio comércio e impulsionava a indústria naval inglesa, aumentando ainda mais a presença da Inglaterra nos mares do mundo.
c) enfrentava a poderosa França retirando-lhe a posição privilegiada de intermediária comercial em nível mundial.
d) desenvolvia a sua marinha, incentivava a indústria, expandia o Império, abrindo novos mercados internacionais ao seu excedente agrícola.
e) protegia os produtos ingleses, matérias-primas e manufaturados, que deveriam ter sua saída dificultada, de modo a gerar acúmulo de metais preciosos no Reino inglês.
GABARITO:
Letra B. As demais estão incorretas pelos seguintes motivos. A letra “a” refere-se às mercadorias de todos os países, mas o Ato referia-se aos produzidos na Inglaterra. A letra “c” está incorreta porque o enfrentamento à época era com a Holanda e não com a França. A letra “d” está errada porque o objetivo era o de não escoar o excedente agrícola. E a letra “e” é falsa também porque o objetivo do Ato era estimular o escoamento dos produtos manufaturados e não dificultar.

AMÉRICA COLONIAL


47) Observe as colunas abaixo.
I) Colônias do Norte
a) Monocultura baseada em produtos tropicais de exportação para a Europa e utilização de força de trabalho escrava africana.
II) Colônias Centrais
b) Caracterizada pela policultura e pela produção manufatureira, fomentando o mercado interno.
III) Colônias do Sul
c) Dinamismo econômico, com importantes centros comerciais, aliados a uma tolerância religiosa.
Qual das alternativas abaixo relaciona corretamente as duas colunas?
a)I-b; II-c; III-a.
b) I-b; II-a; III-c.
c) I-c; II-b; III-a.
d)I-a; II-b; III-c.
GABARITO: C
AMÉRICA COLONIAL
48) Os calvinistas que habitavam a Inglaterra foram os primeiros a se deslocarem para a América do Norte para povoá-la e colonizá-la, fugindo da perseguição religiosa decorrente da criação do anglicanismo. Qual o outro nome pelo qual os calvinistas ingleses eram conhecidos?
a)Huguenotes
b) Quackers
c) Anabatistas
d) Puritanos
e) Mórmons
GABARITO:
Letra D. Os puritanos fixaram-se nas colônias do Norte, formando a Nov Inglaterra.
EXPANSIONISMO PORTUGUÊS
49) Ómarsalgado,quantodoteusal
SãolágrimasdePortugal!
Portecruzarmos,quantasmãeschoraram,
Quantosfilhosemvãorezaram!
Quantasnoivasficaramporcasar
Paraquefossesnosso,ómar!
Valeuapena?Tudovaleapena
Seaalmanãoépequena.
QuemquerpassaralémdoBojador
Temquepassaralémdador.
Deusaomaroperigoeoabismodeu,
Masneleéqueespelhouocéu
(FernandoPessoa,MarPortuguês.RiodeJaneiro,JoséAguiar,1960.)

O poema de Fernando Pessoa se refere à conquista dos mares pelos portugueses,  no início da era moderna.SeosresultadosfinaismaisconhecidosdasGrandesNavegações forama aberturadenovasrotascomerciais em direção à índia, a conquista de novas terras e adifusão da cultura europeia, alguns doselementos desse contexto histórico cuja articulação
auxilia na compreensão das origens dessa expansãomarítimasão:


a)oavançodastécnicasdenavegaçãoabuscadomíticoparaísoterrestre,apercepçãodouniversosegundoumaordemracional.
b)omitodoabismodomar,adesmonetarizaçãodaeconomia,avontadedeenriquecimentorápido.
c)abuscadeouroparaasCruzadas, adescentralizaçãomonárquica,odesenvolvimentodamatemática.
d)ademandadeespeciarias,aaliançacomascidadesitalianas,aânsiadeexpandirocristianismo.
e)o anseio de crescimento mercantil,  os relatos de viajantes medievais, a conquista de Portugal pelosmouros.
GABARITO: LETRA A
ANTIGO SISTEMA COLONIAL
50) AdescobertadaAméricainseresenocontextodomercantilismoeuropeu.Oselementosutilizadosparagarantir a acumulação primitiva de capital na Europa, nesse período, fundamentavamse nas seguintesestratégiaspolíticaseeconômicas:
a) protecionismoelivremercado.

b)  colonialismoelivremercado.
c)  industrialismoeliberalismo.
d) colonialismoeprotecionismo

GABARITO: LETRA D

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Unidade XXVII: A América Latina no século XX

A América Latina no século XX

México (A Revolução de 1910)
    
“Quando se estabelecer a Nova República, não mais haverá exércitos no México. Os exércitos são os maiores apoios da tirania. Não pode haver ditador sem seu exército”.                          
                                                                             [ Pancho Villa, in México Rebelde de John Reed pag. 121)
     A Revolução ocorrida no México é tratada como uma Revolução Camponesa. Entretanto, em nenhum momento  coube as lideranças populares ocuparem o poder, Emiliano Zapata e Pancho Villa líderes do campesinato defenderam uma via reformista e conciliada que não exigia a presença deles no poder.
     Em 1910 era presidente mexicano o General Porfírio Diaz no poder desde 1876 utilizando práticas autoritárias e apoiando-se nas elites proprietárias. Ao longo desses 35 anos o Porfiriato, como ficou conhecido o período do general no poder, favoreceu a concentração de terras, a exploração da mão de obra indígena em sua maioria formada por indivíduos analfabetos, facilitou também o ingresso de capitais estrangeiros, em particular norte americano, na exploração mineral, no incipiente setor industrial, no setor dos bancos e na exportação de produtos.
     Nesse ano realizou-se mais uma eleição para a Presidência da República, nessa oportunidade foi apresentada a candidatura de oposição à reeleição General Diaz, de Francisco Madero, que tinha apoio de setores populares e do Movimento Camponês, particularmente de Pancho Villa. Ao longo da campanha, Madero foi preso sob a acusação de crime político, inviabilizando qualquer possibilidade de vitória no pleito. Novamente eleito presidente o General Diaz enfrentou uma onde de protestos das classes populares camponeses, greves urbanas. Essas manifestações foram articuladas por Madero exilado no Texas com as lideranças camponesas pelo Pacto de San Luis.
     Foi nesse momento que emergiram as lideranças camponesas de Zapata e de Villa. Zapata no sul, através do Plano Ayala tornou-se um defensor da devolução das terras aos índios dentro ou fora da lei. Pancho Villa no norte do país juntou-se a Zapata para juntos defenderem a Reforma Agrária sob o lema Tierra y Libertad.
     A pressão do movimento camponês levou o general Diaz a uma  renúncia negociada e a formação de um governo de transição, até a realização de novas eleições. Esse governo foi ocupado por Francisco Madero. Posteriormente eleito presidente, Madero ocupou o poder até 1914, ano em que foi assassinado por um golpe militar liderado pelo General Victoriano Huerta, cujo nome estava ligado ao do general Porfírio e aos interesses britânicos. Imediatamente os camponeses liderados por Zapata e Villa voltaram às manifestações. A pressão popular levou Huerta à renúncia. Vale ressaltar que os Estados Unidos sob governo Woodrow Wilson não deram apoio ao golpe e cortaram a venda de armas ao país.
     Com a saída de Huerta, buscou-se uma solução conciliada entre os camponeses e as elites, que chegou ao nome de Venustiano Carranza, nome apoiado pelos Estados Unidos. Em 1917 uma nova Carta Constitucional foi promulgada. Nela estava previsto o direito do Estado de desapropriar terras para fins de reforma agrária, também constava uma Legislação Social (leis trabalhistas) reivindicada pelos movimentos populares e o controle do Estado sobre o subsolo. A Constituição tinha uma cara reformista e moderadamente nacionalista.
     A Constituição não foi garantia para a realização da reforma agrária, o que incentivou frequentes manifestações camponesas. Entretanto, com os assassinatos de Zapata em 1919 e de Villa em 1923 essas manifestações se enfraqueceram, permitindo às elites mexicanas, através do PRI (Partido Revolucionário Institucional), ocuparem o poder ao longo de quase todo o século XX, exceto no breve período de 1934/1940, que o México teve um governo de cunho nacionalista e reformista do presidente Lázaro Cárdenas. Cárdenas promoveu um avanço na distribuição de terras e adotou uma política nacionalista, que resultou na criação da Pemex (Cia estatal de petróleo do México).
     Nos anos 1990 reacendeu-se a luta camponesa no país, coma formação do EZLN (Exército Zapatista de Libertação Nacional), instalado na região de Chiapas no sul do México, que representa a retomada da incansável luta dos camponeses pela REFORMA AGRÁRIA.


A Revolução Cubana (1959)

     Em meio a Guerra Fria, em 1959 instalou-se na América Latina, embaixo do nariz dos Estados Unidos, o governo revolucionário cubano após uma árdua luta dos jovens barbudos contra a ditadura de Fulgêncio Batista, sob a liderança de Fidel Castro e com uma extraordinária participação do jovem médico argentino Ernesto Guevara de La Senra, o Chê. Em abril de 1961, definiu-se a opção cubana pelo socialismo e pelo alinhamento à URSS, a Guerra Fria chegava à América Latina.

Antecedentes
     Em 1898 após décadas de luta contra o domínio espanhol, Cuba tornou-se independente. Entretanto, a vitória da luta de libertação contou com apoio dos Estados Unidos através da Guerra Hispano Norte Americana no Caribe e isso custou aos cubanos a assinatura de um acordo, que se tornou parte integrante da Constituição Cubana, a Emenda Platt. Por ela os Estados Unidos passaram a ter o direito de intervir na Ilha em nome da democracia, da liberdade, da justiça social e da segurança. Além disso,  os Estados Unidos passaram a ter o direito de preferência na compra do açúcar de Cuba e também obtiveram a cessão do território, em regime de aluguel, para a instalação da Base Militar de Guantánamo. Desse modo Cuba tornou-se um Protetorado norte americano, uma área satélite.
     Na década de 1930, numa onda de nacionalismo que varreu o mundo, a Emenda Platt foi revogada. Entretanto, isso não implicou tirar Cuba da órbita dos Estados Unidos, a dependência econômica e a influência política se mantiveram, sobretudo, com a ascensão de Fulgêncio Batista, inicialmente eleito em 1940 e posteriormente, em 1952, ao participar de um Golpe Político. No período em que esteve a frente do governo cubano, Batista tornou-se subalterno aos interesses norte americanos e levou o país a se tornar um verdadeiro quintal dos EUA. 
     Após a Segunda Guerra Mundial, Cuba tornou-se uma área de investimento e de entretenimento da burguesia norte americana, que investia em atividades econômicas e explorava a mão de obra dos cubanos. Daí serem, na época,  flagrantes os efeitos sociais dessa dependência, em que se verificou um quadro de miséria, de analfabetismo e de prostituição de jovens cubanos.

O processo revolucionário

    Em 1953, sob a liderança de jovens da classe média, teve início o movimento de luta contra a ditadura Batista. Em 26 de Julho ocorreu a tentativa de tomada do Quartel de Moncada. O fracasso provocou a morte de muitos integrantes, outros foram presos como os irmãos Fidel e Raul, que posteriormente foram para o exílio no México. Em 1956, a bordo do barco Granma, cerca de 80 integrantes do movimento revolucionário voltaram à Cuba para retomar a luta política, entre eles Fidel, Raul, Camilo Cienfuegos, Juan Almeida, Ramiro Valdés, Francisco Medina e o jovem argentino Chê Guevara. Ao retornarem os revolucionários sofreram um novo revés, que os reduziu a um número, mais mítico do que real, de 20 homens.
     Entre 1956 e 1º de janeiro de 1959 foi retomado e finalizado o movimento revolucionário, cuja vitória deve muito à participação dos setores populares como camponeses, jovens e mulheres e a organização do foco revolucionário de Sierra Maestra.

Eu sei que o mundo pensa de nós, somos comunistas, e, claro, eu tenho dito muito   claramente que não somos comunistas, muito claramente.    [ Fidel Castro após uma visita à Washington]
  
     Em 1º de janeiro de 1959 instalou-se o governo Fidel e com ele o início das reformas sociais como a Reforma Agrária, a Reforma Urbana, a nacionalização da economia, a política de combate ao analfabetismo, à miséria e à prostituição essas últimas, com certeza as maiores mazelas do povo cubano.

     Entretanto, os governos norte-americanos de Dwight D. Eisenhower (1952/1960) e de seu sucessor John Fitzgerald Kennedy (1960/1963), reagiram duramente ao novo governo cubano, através de medidas como: boicote ao açúcar em 1960, o patrocínio a invasão à Baía dos Porcos em 1961, a suspensão do governo de Cuba da OEA em 1962 e o decreto de embargo econômico em 1962.

Cuba foi suspensa da OEA em 31 de janeiro de 1962, após o seu governo declarar o caráter socialista da Revolução Cubana e se aliar à URSS. Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador e México se abstiveram. A decisão se fundamentou na concepção de que o marxismo-leninismo era incompatível com o sistema interamericano e representava uma ameaça a unidade do continente
 A pressão dos EUA foi compensada pela cooperação soviética. A URSS passou a comprar o açúcar cubano e a fornecer petróleo a preços preferenciais. Foi isso que possibilitou aos cubanos os consideráveis avanços nos campos da Educação, Esportes e da Medicina. Por outro lado, esse alinhamento à URSS foi responsável pelo momento de maior tensão da Guerra Fria, a Crise dos Mísseis de 1962 (já abordada em unidade anterior). A partir da ascensão de Mikhail Gorbatchev na URSS, Cuba passou a enfrentar uma série de dificuldades em razão do corte na cooperação soviética e ampliadas com o fim da URSS em 1991. O herdeiro político da URSS, Boris Ieltsin não sinalizou com a possibilidade de manter a política de sustentação à Cuba, como ocorria em tempos soviéticos.

                                   Cuba após a Guerra Fria
Mudanças econômicas, nova agenda diplomática e o limitado diálogo com os EUA
Cuba passou por muitas transformações após a Guerra Fria. A economia está mais diversificada e o país logrou escapar do isolamento internacional, estabelecendo parcerias com China, União Européia e América Latina. Além disso, a transformação na comunidade cubano-americana coloca em posições de influência ativistas mais jovens, com maior disposição para o diálogo com os Estados Unidos, inclusive em temas comerciais. Contudo, é difícil que as negociações avancem em pontos controversos, pela relutância de Havana em liberalizar o regime político.
(Revista Brasileira de Política Internacional) 


Chile (a experiência socialista)

     Em 1970, após três sucessivas derrotas eleitorais, Salvador Allende elegeu-se Presidente do Chile como candidato de uma frente de esquerda, a Unidade Popular. A presidência de Allende foi marcada por uma política de socialização da economia, que se baseava na nacionalização das reservas minerais do cobre e do salitre, dos bancos e adoção de um programa de reforma agrária. Entretanto, vale ressaltar o compromisso de Allende de construir um socialismo democrático e pluripartidário.
     Ao longo dos seus três anos de governo, Allende enfrentou a oposição dos empresários chilenos, que pressionaram o governo com a redução do abastecimento o que pressionou a inflação, elevando-a a quase 400% em 1973. Além disso, a pressão norte-americana também recaiu sobre o governo Allende através do boicote comercial, agravado com o decreto de embargo econômico, e com a articulação da CIA com os setores chilenos, entre os quais os militares, para a deflagração do Golpe Militar de 11 de setembro de 1973. A vitória dos golpistas resultou na instalação da ditadura do General Augusto Pinochet.
     Entre 1973 e 1989 o Chile experimentou uma ditadura, que provocou milhares de prisões, de desaparecidos e de mortos, todas elas vítimas da repressão do governo Pinochet. Em seus dezesseis anos de poder Pinochet suspendeu os partidos políticos, extinguiu as eleições, suprimiu a liberdade de expressão adotou uma política econômica neoliberal na qual desnacionalizou a economia como desejavam os Estados Unidos sob o governo republicano de Richard Nixon.
     Em 1988, apoiado nos números da economia, o General Pinochet propôs a realização de um plebiscito, no qual ele pedia ao eleitor chileno o direito de permanência no cargo por mais 8 anos. Entretanto, a resposta da sociedade chilena foi um rotundo NÃO. 
     Derrotado no plebiscito Pinochet não pode evitar o reingresso do Chile à democracia. Mas antes de passar o poder ao presidente eleito Patrice Aylwin, ele atribuiu a condição de senador vitalício de modo a se beneficiar da imunidade parlamentar.

Nicarágua (A Revolução Sandinista de 1979)

     Em julho de 1979, caiu uma das mais longevas ditaduras da América Latina, a da Família dos Somozas na Nicarágua. Os Somozas estiveram no poder de 1934 até a vitória da Frente Sandinista de Libertação Nacional, que os derrubou após 18 anos de luta.
     A Nicarágua, na primeira metade do século XX, sofreu duas intervenções norte americanas baseadas no Big Stick. Foi nessa conjuntura, que nos anos 1920 emergiu a liderança de Augusto César Sandino líder camponês e nacionalista, responsável pela resistência a ocupação norte-americana. Após a saída das forças de intervenção, Sandino foi assassinado por ordem do comandante da Guarda Nacional Anastácio Somoza Garcia, o que deu início a longa ditadura somozista.
     Em 1961, inspirados na Revolução Cubana, jovens nicaraguenses e marxistas criaram a FSLN e deram início à luta contra a ditadura. Em 1978 a morte do líder liberal e proprietário do Jornal La Prensa Pedro Joaquim Chamorro, provocou uma onda protestos e greves, que pressionaram o governo Anastácio Somoza Debayle e favoreceram a tomada de poder pelos Sandinistas, com a tomada do Palácio Presidencial em Manágua.
     Na fase sandinista, a Nicarágua passou por mudanças como: a substituição da Guarda Nacional pelo Exército Popular Sandinista; a desapropriação de terras para reforma agrária; a política de combate ao analfabetismo; a política de saúde; aproximação com os países socialistas e, sem nenhuma surpresa, o distanciamento dos Estados Unidos.
     Entretanto, na década de 1980 os sandinistas enfrentaram uma Guerra Civil protagonizada pelos Contras, formados por velhos integrantes da Guarda Nacional, estes apoiados pelo governo norte-americano de Ronald Reagan, que transferiu grande soma de recursos financeiros para financiar os Contras.
     Em 1984 os sandinistas promoveram eleições em que Daniel Ortega foi eleito presidente com 60% dos votos. Entretanto, além do boicote da oposição, o resultado eleitoral não foi reconhecido pelos Estados Unidos o que não criou um ambiente de pacificação do país. A pressão sobre os sandinistas, o quadro de paralisia econômica e a inflação crescente, foi decisivo para a derrota de Daniel Ortega frente a candidatura oposicionista  de Violeta Chamorro da União Nacional de Oposição e viúva de Pedro Joaquim Chamorro.

Argentina (o Peronismo 1945/1955 – 1973/1974)

     Em junho de 1943, houve um golpe militar contra o governo Castillo (representante da oligarquia argentina) promovido pelo grupo da Obra da Unificação ou Grupo dos Oficiais Unidos, constituídos por jovens oficiais simpatizantes do fascismo. Entre eles estava o coronel Juan Domingo Perón, filho de pecuarista.
     No governo que se instalou sob a direção de Pedro Ramirez, Perón ocupou a Pasta do Trabalho e do Bem-Estar Social na qual defendeu a formação de sindicatos, a criação da Previdência Social, o aumento dos salários e a criação das leis sociais ou trabalhistas. Acusado de agir de forma demagógica foi afastado do governo e sofreu uma prisão disciplinar. Entretanto, uma grande manifestação popular na Praça de Mayo pressionou o governo a libertá-lo. Estima-se que a manifestação organizada por Eva Perón reuniu cerca de 300 mil pessoas. Eva Perón, esposa do Coronel se transformou no ícone da política assistencialista do governo populista de Perón.
     Fora da prisão Perón criou o Partido Lavorista, que se tornou um verdadeiro furacão nas eleições de 1946. Perón elegeu-se presidente e o partido elegeu a maioria dos governadores de Províncias e fez maioria no Poder Legislativo.
     De 1946 a 1955 Perón cumpriu seus primeiros mandatos. Nos primeiros anos dentro da euforia econômica provocada pelas exportações de carne e de cereais para a Europa recém saída da II Guerra Mundial. Foi nesse período, que o Estado, utilizando a receita gerada pelas tarifas de exportação, investiu na infra-estrutura e também na nacionalização de empresas de eletricidade, água, gás, telefonia e ferrovias (segundo seus adversários políticos, Perón pagou verdadeiras fortunas por verdadeiras sucatas) mas, por outro lado a exploração do petróleo foi entregue ao capital externo, essa decisão teria sido pressionada pelo déficit da Balança Comercial  e pelo endividamento externo no seu segundo mandato.
     Em busca de uma base de sustentação política, Perón adotou alguns procedimentos como: neutralização na relação capital-trabalho e a criação do Estado Justicialista, ou seja, promotor da justiça social através das leis sociais, do programa de habitação e de investimentos em educação. Ao mesmo tempo, sob a conduta de Eva Perón à frente da política social, Perón foi divinizado (só há um Perón, ele é um Deus para nós, nosso sol, nosso ar,  a nossa vida...). Eva Perón foi transformada em protetora dos descamisados argentinos. Para homenageá-la empenhou-se pela adoção do voto feminino.
     Com essa visão de justiça e de apoio aos anseios dos trabalhadores, Perón criou uma importante base de sustentação sindical através da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores) dirigida por pelegos, que em troca de benefícios, garantiam a disciplina no trabalho e a passividade dos trabalhadores. Em 1949 Perón conseguiu a promulgação de uma nova Constituição, que admitia a prática da censura, que proibia a ocorrência de greves, abrindo caminho para a coerção da oposição, em particular dos comunistas.
     Nos anos 1950, a euforia econômica deu lugar a crise. As exportações caíram, pois a Europa diminuiu suas compras e a Argentina passou a enfrentar a concorrência da Austrália e do Canadá. Com isso a pressão sobre Perón aumentou, de um lado os descamisados em razão do aumento do desemprego do outro lado os empresários e latifundiários em razão da inflação da queda da economia. Se não bastasse isso, Perón perdeu a sua mais importante aliada. Em 26 de julho de 1952 morreu Eva Perón, vítima de câncer, aos 33 anos e se indispôs com a Igreja Católica ao apoiar a Lei do Divórcio.
     Nesse quadro politicamente contrário, Perón tentou contra atacar, disparando contra os Estados Unidos, acusando-os de estarem conspirando contra a Argentina e apoiando os inimigos do governo. Nesse ambiente convocou os descamisados para se juntarem a ele contra as elites, apresentadas como inimigas do povo e ameaçou adotar o nacionalismo econômico contra os interesses internacionais. Os Estados Unidos reagiram apoiando os grupos internos, na articulação de um Golpe de Estado liderado pelo general Aramburu. Aparentemente se fechava o ciclo peronista. Puro engano.
     De 1955 a 1973 Perón esteve no exílio na Espanha do Generalíssimo Francisco Franco (coincidência?). Enquanto isso a Argentina enfrentava uma fase de governos militares, nem sempre legalistas. Ao mesmo tempo, surgiu dentro do peronismo o movimento radical de esquerda, os Montoneros não obedientes a Perón, que pregavam a luta armada contra o regime.
     Em 1973 a Argentina experimentou uma redemocratização com a marcação das eleições livres e diretas. Nesse novo pleito, os peronistas apresentaram a candidatura de Hector Câmpora, cujo slogan de campanha era “Câmpora no governo, Perón no poder”. Demonstrando força os peronistas venceram, Câmpora elegeu-se Presidente. Como uma crônica anunciada, Câmpora governou de 25 de maio a 13 de julho de 1973. No curto período que ocupou a Casa Rosada, ele anistiou os presos políticos, promoveu aumento salariais e congelamento de preços, o que provocou uma queda considerável da inflação. Com sua renúncia, foi convocada uma nova eleição da qual Perón com seus direitos políticos restabelecidos pode participar. Perón foi candidato à Presidência da República, tendo sua esposa Maria Estela Martinez de Perón, a Isabelita.
    Perón foi eleito com 62% dos votos, mas com a saúde muito frágil, faleceu em 1974 em 1 de julho. Isabelita foi empossada no mesmo dia e governou a Argentina até 24 de março de 1976, em que foi deposta por uma Junta Militar. Esse golpe não surpreendeu, porque Isabelita foi acusada de não ter liderança e capacitação para conduzir os destinos da Argentina.
     Entretanto, a despeito das desconfianças da competência de Isabelita, no seu curto governo a Argentina teve crescimento econômico, queda da inflação, aumento de salário e das pensões e ampliação da licença maternidade, ela se conduzia como Perón agiria se estivesse vivo.  Não por acaso ela teve um grande apoio popular. Mas isso não impediu o Golpe liderado pelo General Jorge Rafael Videla.
     Entre 1976 e 1983 a Argentina experimentou uma ditadura militar nos moldes da brasileira ou da Chilena, ou seja, supressão da liberdade de expressão, dos partidos políticos, dos sindicatos, das centrais sindicais e das eleições. Além disso, a exemplo das ditaduras vizinhas, na Argentina a repressão foi intensa com as prisões, a tortura, as execuções e os sequestros de crianças, filhas das mulheres e homens que participavam da luta armada contra o regime.
      Ao longo desses 7 anos organizou-se o Movimento das Mães da Praça de Mayo. Mulheres que se reuniam diariamente na praça para reclamar notícias sobre seus filhos desaparecidos. A medida que as manifestações contra a ditadura recrudesciam, os militares exaltaram o nacionalismo, invocando o direito argentino sobre as Ilhas Malvinas, desde 1833 sob domínio britânico. Segundo os militares argentinos, as Malvinas constituem parte indivisível da Argentina ocupada por invasores. De abril a Junho de 1982 ocorreu a Guerra das Malvinas ou Guerra do Atlântico Sul entre a Argentina e o Reino Unido. A guerra terminou evidenciando a supremacia britânica e provocando a morte de 907 pessoas entre argentinos e britânicos. A Guerra teve repercussão tanto entre os argentinos quanto entre os britânicos. Na Argentina aumentou a pressão sobre a ditadura. No Reino Unido, a vitória contribuiu para a vitória dos Conservadores liderados por Margareth Thatcher.
     Em 10 de dezembro de 1983 era finalizado o processo de transição para a democracia com a posse do Presidente Raul Alfonsín da UCR (União Cívica Radical) eleito democraticamente. Assim terminava um período sombrio da história argentina, que vitimou milhares de pessoas utilizando métodos de execução em massa como nos famosos vôos da morte.

Bolívia (Um indígena e cocaleiro na presidência)

     A Bolívia um das mais pobres países da América Latina iniciou, em 2005, uma mudança de rumos com a eleição de Evo Morales, candidato do Movimento ao Socialismo (MAS). Em seu primeiro mandato, há poucos dias ele foi reeleito pela segunda vez, Evo, cumprindo promessa de campanha nacionalizou as reservas de hidrocarbonetos, decisão que atingiu a Petrobrás presente na extração mineral boliviana.
     Além disso, também iniciou a política de reforma agrária. Com relação da produção de coca pelos indígenas, a posição de Evo Morales é muito clara, para ele “folha de coca não é droga”, mascá-las é uma tradição indígena.


     Embora o tráfico de drogas seja um problema internacional, a nova posição assumida pela Bolívia devolve aos mercados consumidores de drogas o problema ocasionado pela apropriação, para fins ilícitos, de uma planta de uso tradicional - a coca.
     Segundo Morales, "haverá zero cocaína, zero tráfico de drogas, mas não zero coca." Assim, a posição do governo boliviano é de que os costumes indígenas não devem ser afetados pela política de repressão ao tráfico de drogas.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Unidade XXVI - A África após 1945

A África após 1945

O processo de descolonização

Os fatores de influência

- a propagação do princípio da autodeterminação das nacionalidades, que embasou o processo de desmembramento dos impérios europeus após a Primeira Guerra Mundial;

- o surgimento de lideranças nacionalistas, que atuaram como canalizadores do sentimento da nacionalidade e mobilizando o povo em torno do projeto emancipacionista;

- o enfraquecimento das potências colonialistas em razão da Segunda Guerra Mundial, o que as deixou sem condições de impedir o avanço da descolonização;

- o apoio recebido das nações reunidas em Bandung em 1955;

- o interesse das superpotências em ampliar suas áreas de influência, o que as levou a apoiar os movimentos de libertação das colônias. O risco neste caso foi o fato de as duas superpotências apoiarem grupos distintos dentro de um mesmo país, o que concorreu para as frequentes guerras civis no continente africano.

As vias de libertação

- a via negociada ou pacífica:
 nela o colonizador admitiu reconhecer a independência da colônia de modo que os vínculos econômicos, políticos e culturais ficassem preservados. Dessa maneira a independência não representa uma ruptura total com a antiga metrópole. Essa prática os ingleses utilizaram-na de modo a integrar suas ex colônias em membros da Commonwealth (Comunidade Britânica). Os franceses, em menor escala, também buscaram construir uma comunidade francesa com suas ex colônias.

- a via violenta: nela o colonizador ofereceu resistência à emancipação de suas colônias, conduzindo o processo irremediavelmente a uma guerra de libertação. Nesse caso há uma ruptura real dos laços entre a ex colônia e a ex metrópole.

- a via revolucionária: ela representa um desdobramento da via violenta e traduz a opção pela via socialista por parte do movimento de libertação.



O estudo de casos africanos

Argélia

     Entre 1954 e 1962 transcorreu a Guerra da Argélia entre o movimento nacionalista (Frente de Libertação Nacional) argelino liderado por Ahmed Ben-Bella e o Estado Francês. Essa guerra decorreu do fato de a França não admitir a emancipação argelina, proclamada em 1954. Para a França a independência da Argélia era interpretada como separatismo, aja vista que o Estado Francês classificava a Argélia como um Departamento, ou seja, uma unidade territorial e política francesa. Por outro lado, havia na Argélia uma elite francesa, os pied-noirs, que, com o apoio da extrema-direita francesa, pressionou o governo da França para não aceitar a emancipação dos argelinos.
     O conflito foi marcado por ações de violência de ambos os lados. A Frente de Libertação levou a guerra para dentro do território francês, ao promover sucessivos atentados, o que deixou o povo francês assustado e favorável a emancipação. Em 1958, os franceses recorreram ao General Charles De Gaulle, comandante do exército da França-Livre na Segunda Guerra, para ocupar o cargo de 1º ministro apostando na sua capacidade de comandar a vitória francesa. Entretanto, De Gaulle, eleito posteriormente Presidente, entendeu que o melhor caminho era o acordo de paz. Respaldado num plebiscito, De Gaulle negociou com Ben-Bella o Acordo de Evian em 1962, no qual a Argélia se tornava um Estado independente.
     Chama atenção o fato de que a elite pied-noir e a extrema direita, frustradas pela independência argelina, patrocinaram uma Organização Terrorista (Organização do Exército Secreto –OES-) cujo propósito inicial era o de inviabilizar o entendimento, chegaram até mesmo a  organizar um fracassado atentado contra De Gaulle.

Congo

     Ex colônia belga, a atual República Democrática do Congo, que já se chamou República Popular do Congo e República do Zaire, se tornou independente em 1960 através de uma negociação entre o movimento de libertação e o governo belga. Entre 1961 e 1963 o país atravessou uma guerra civil, que envolveu o governo nacional formado por Joseph Kasavubu e Patrice Lumumba e as forças separatistas lideradas pelo governo da Província de Catanga de Moisé Tshomb.
     A guerra civil traduziu não apenas a posição separatista de Catanga, mas também os interesses das mineradoras internacionais, que foram atingidas pela nacionalização das reservas minerais decretado pelo governo Kasavubu-Lumumba. Durante o conflito Lumumba deixou o governo e, de forma pouco esclarecida, foi seqüestrado e morto pelos rebeldes separatistas de Catanga. Em 1963 foi assinado um acordo de paz entre Kasavubu e Tshomb, em que este acabou indicado 1º ministro. Entretanto, em 1965 o país passou por um Golpe Militar liderado pelo Coronel Mobutu Seko com o apoio do governo norte americano (Lyndon Johnson), que instalou uma ditadura violenta e corrupta até 1997. Foi o Coronel Mobutu o responsável pela adoção do nome de República do Zaire em 1972.

 Nigéria

   
A ex colônia britânica obteve a independência no início da década de 1960 e emancipada ingressou na Commonwealth, de modo que, os laços políticos e econômicos com a Inglaterra foram mantidos, inclusive a presença de petrolífera britânica atuando no país.
     Em 1967 a Nigéria começou a enfrentar uma violenta guerra civil, que se estendeu até 1970. Esse conflito conhecido como Guerra Nigéria-Biafra ou apenas Guerra de Biafra, decorreu da tentativa da região de Biafra de se tornar independente do Estado Nigeriano. Essa guerra foi uma das mais violentas na África, com milhares de mortes provocadas pela fome, cujas imagens eram transmitidas para o Ocidente. A Guerra de Biafra terminou com o recuou separatista dos Ibos (tribo dominante na região) e a preservação da unidade nacional nigeriana.


A África Portuguesa

     As colônias portuguesas na África (Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe) obtiveram a independência em 1975 após a vitória  da Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974 contra o Salazarismo. Essa conquista traduziu a participação do movimento nacionalista nas colônias na luta contra a ditadura salazarista após a Segunda Guerra Mundial. Com relação ao processo de emancipação vale ressaltar, que em Angola e em Moçambique, após terem sua independência reconhecida pelo governo português instalado após a Revolução, enfrentaram guerras civis em seus territórios nas décadas de 1970, 1980 e 1990. Essas guerras repercutiram a falta de unicidade política e ideológica nas várias correntes, que compuseram o movimento nacionalista angolano e moçambicano. Se não bastasse isso, essas guerras repercutiram também a polarização ideológica que marcava a Guerra Fria, logo a rivalidade entre o capitalismo norte americano e o socialismo soviético.

(1975/2002) A Guerra Civil Angolana

     Em 1975 através do Acordo de Alvor Angola foi reconhecida como país independente. Entretanto, na luta pela libertação formaram-se três grupos: MPLA, FNLA e UNITA. A impossibilidade de constituir um governo de unidade provocou uma disputa entre as lideranças o que levou os grupos a serem protagonistas de uma guerra civil.
     O MPLA liderado por Agostinho Neto instalado em Luanda se apresentou como representante do poder, o que não foi reconhecido pela FNLA liderada por Holden Roberto, como também pela UNITA sob o comando de Jonas Savimbi, daí o início da guerra civil.
     O MPLA contou com apoio de Cuba, da mesma forma que a FNLA teve a ajuda do Zaire do Coronel Mobutu e contou com a ajuda material de Londres e de Washington. Por outro lado a UNITA recebeu todo o suporte do regime do apartheid sul africano e dos EUA e do Reino Unido.
     O fim da Guerra Fria no final dos anos 80 teve forte influência no cessar fogo firmado em 1992 e no acordo para realização de eleições. Entretanto, o líder da UNITA derrotado nas eleições presidenciais não concordou com o resultado e decidiu retomar a luta armada contra o governo do MPLA de José Eduardo Santos, que substituíra Agostinho Neto morto em 1979 e que foi eleito presidente em 1994. A morte de Jonas Savimbi em 2002 foi decisiva para assinatura do acordo de paz. 


(1975/1992) A Guerra Civil Moçambicana

     Moçambique teve uma situação muito similar a de Angola, pois com a independência reconhecida em 1975, não foi possível formar um governo de união nacional, porque a FRELIMO de orientação marxista sob a liderança de Samora Machel e com apoio cubano, assumiu a condição de governo nacional o que não foi reconhecido pela RENAMO grupo anticomunista, apoiado pelos governos da África do Sul, da Rodésia e dos EUA. A posição da Renamo foi decisiva para o início da guerra civil.
     Em 1992 na conjuntura pós Guerra Fria, foi assinado o Acordo Geral de Paz, que pôs fim a guerra civil e que transformou a FRELIMO e a RENAMO em partidos políticos.





       
 O envolvimento da África do Sul nas guerras civis angolana e moçambicana

     O apoio oferecido pelo governo racista do Apartheid aos grupos  que combatiam o MPLA em Angola e a FRELIMO em Moçambique, deveu-se ao fato de:

- serem ambos os governos comunistas;

- por darem apoio à Frente de oposição ao Apartheid no continente africano;

- por oferecerem ajuda a SWAPO, Organização Popular da África Sul Ocidental, na luta de libertação da Namíbia, região dominada pela África do Sul,

 


África do Sul e o Apartheid

     A região da extremidade sul do continente africano foi palco do interesse dos europeus desde o século XV, dada a sua posição estratégica na transição do Atlântico para o Índico. No final do século XIX foi teatro de uma guerra entre ingleses e holandeses pelo controle das regiões de diamantes e de ouro do Transvaal e do Orange, a Guerra dos Böers.

     No século XX ali se instalou o mais odioso regime político, o Apartheid. Na África do Sul a minoria branca , formada por descendentes de ingleses e de holandeses institucionalizou a segregação racial, excluindo a maioria negra da condição de cidadania. Pelas leis do Apartheid os negros não podiam ser proprietários de terras, não tinham representação política, deveriam habitar regiões separadas das ocupadas pelos brancos, não podiam se casar com brancos e as relações sexuais interraciais foram consideradas ilegais, A separação física entre brancos e negros se traduziu na criação dos Bantustões, as áreas no interior destinadas as comunidades negras e das favelas localizadas na periferia das grandes cidades como a de Soweto e a de Sharpeville, que constituíram núcleos da resistência dos negros contra o Apartheid.
     Na luta contra o Apartheid destacou-se o CNA (Congresso Nacional Africano) em que despontou a liderança de Nelson Mandela um admirador confesso de Gandhi, que também defendia a via pacífica contra o Apartheid. Entretanto, o assassinato em 1960 de cerca de 70 negros no Massacre de Sharpeville em razão de uma manifestação pacífica contra o regime, mudou os rumos da luta de resistência, que ganhou um tom de maior contundência e de violência. A resposta do governo não tardou: o CNA foi colocado na ilegalidade e Mandela foi capturado e condenado a prisão perpétua.
     Nas décadas de 1970 e 1980 a pressão internacional contra o Apartheid aumentou. Em 1972 a África do Sul foi excluída dos Jogos de  Munique, porque havia uma ameaça de boicote aos jogos pelos países africanos. Em 1977 foi decretado o embargo da venda de armas para a África do Sul. Em 1985 a ONU impôs sansões econômicas à África do Sul. Em 1989 nas eleições sul africanas houve a formação do governo Frederick De Klerk, que deu início a um processo de transição pela via negociada, cujo primeiro passo foi libertar Mandela da prisão, em seguida revogar as leis segregacionistas ratificadas por um plebiscito em que 69% dos brancos votaram a favor. O processo de transição política foi concluído em 1994,  com as primeiras eleições multirraciais, com a vitória de Mandela candidato do CNA.

  
 Em 1993 a Academia Sueca, conferiu a De Klerk e a Nelson Mandela o Nobel da Paz.


        No governo Mandela foi aprovada a Lei dos Direitos sobre a Terra e a criação da Comissão de Reconciliação e Verdade, esta para investigar, esclarecer e denunciar os responsáveis por crimes de tortura e de mortes no período do Apartheid. Esta Comissão foi presidida por uma das mais importantes figuras sul africanas na luta de resistência ao Apartheid, o Bispo Anglicano Desmond Tutu, cuja luta o levou em 1984 a ganhar o Nobel da Paz.