segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Unidade XXIV: A Ásia após 1945

A Ásia após 1945
                                              
A independência da Índia (1947)

      Desde 1859, após dois anos de guerra contra os Cipaios, os ingleses estabeleceram o seu domínio sobre território, que hoje abriga a Índia, o Paquistão, a República de Bangladesh e o Sri Lanka. Até 1947 os britânicos deram as cartas na região.      No século XX, a partir dos anos 1920, emergiram as lideranças de Mahatma Gandhi e de Jawaharlal Nehru dentro do Partido do Congresso, organização partidária, que congregava a etnia hindu, fundada no final do século anterior. A partir daí se impôs a diretriz da não violência, da via pacífica defendida por Gandhi. Segundo ele a luta pela emancipação não exigia o derramamento de sangue. O pensamento gandhista apontava também para a preservação da unidade territorial e política, de modo a abrigar as diferentes etnias da região (hindus, muçulmanos e budistas). Nesse ponto havia uma divergência entre Gandhi e o líder da Liga Muçulmana Mohamed Ali Jinnah, porque o movimento islâmico defendia a criação de território destinado aos muçulmanos separado do território hindu.
     Em 15 de agosto de 1947, foi assinado um acordo pelo Reino Unido, pelo líder hindu Nehru e pelo líder muçulmano Jinnah, no qual ficou estabelecida a emancipação do protetorado britânico e, ao mesmo tempo, a definição do território destinado aos muçulmanos.
     Após a independência foram criados o Estado indiano e o Estado muçulmano, este ocupando dois territórios separados pela Índia, denominados Paquistão Ocidental e Paquistão Oriental. Em 1972, após uma série de incidentes e conflitos entre os muçulmanos instalados nos dois territórios, eles se separaram em dois Estados: Paquistão e República de Bangladesh. Outra questão decorrente da partilha do território envolveu a região da Caxemira, essa região foi dividida entre a Índia e o atual Paquistão. Entretanto essa divisão até hoje é contestada pelos muçulmanos, que entendem que a Caxemira deve ser integralmente deles por ser histórica e culturalmente muçulmana. Decorre daí uma série interminável de conflitos entre os dois Estados desde os anos 1950 e que oferece um risco terrível pelo fato de ambos terem armas atômicas.
      Com relação a independência da Índia vale registrar, que ela fez parte da estratégia britânica de negociar a emancipação de suas colônias, desde que pudesse manter os vínculos econômicos, políticos e culturais com elas. Isso resultou no ingresso dessas ex-colônias na Commonwealth (comunidade britânica) como foram os casos da Índia, do Paquistão, da Nova Zelândia, da Austrália, do Canadá entre outras.

                                               











A Revolução Chinesa (1949)

     Em 1º de outubro de 1949 Mao Tsé-Tung, o Grande Timoneiro, assumiu o poder após duas décadas de guerra civil, iniciada em 1927, entre os comunistas e as forças governistas do Gal Chiang Kay-Shek. Essa guerra teve um breve hiato entre 1937 e 1945, quando os comunistas se dispuseram a combater a invasão japonesa ao país ao lado das forças do governo.
     Essa guerra civil teve início quando o Gal Kay-Shek assumiu o poder em 1925 e não tardou a por fim a aliança política interna da qual os comunistas faziam parte. Em 1927 Kay-Shek ordenou a perseguição e prisão dos comunistas. Diante disso os comunistas repercutindo a influência do Komintern deram início à luta armada contra o governo. Inicialmente o movimento revolucionário se instalou nos centros urbanos, no entanto após alguns insucessos, Mao Tsé-Tung liderou uma movimentação de +/- 100 mil homens em direção às províncias do interior da China,  era a Longa Marcha.  Nas províncias os guerrilheiros integraram-se a comunidade camponesa e a inseriu no processo revolucionário, começando assim a via camponesa da Revolução Chinesa.
     A vitória do PCC fez com que o governo Harry Truman dos Estados Unidos reagisse de modo a tentar  diminuir o impacto dessa vitória no plano internacional e no jogo de forças da Guerra Fria instalada a partir de 1947. Assim Truman apoiou a transferência de Kay-Shek e seu governo para a Ilha de Formosa (atual República de Taiwan) e empenhou-se para que na ONU a representação chinesa na Assembleia Geral e no Conselho de Segurança permanecesse a cargo do governo Chiang Kay-Shek afastando, portanto o ingresso de mais um governo comunista como membro permanente do Conselho de Segurança e com direito de veto.


A China sob governo comunista

     Com a instalação da República Popular da China em 1º de outubro de 1949, teve início o governo Mao Tse-Tung  dos comunistas naquele país. Na década de 1950 os chineses intervieram no Tibete, participaram da Guerra civil coreana em apoio aos norte coreanos, em oposição aos Estados Unidos e iniciaram a realização do 1º Plano Quinquenal com o apoio dos soviéticos em 1953. Essa cooperação entre Pequim e Moscou ficou abalada após a ascensão de Nikita Kruschev na URSS, cujas diretrizes de governo mereceram críticas severas de Mao.
     Em 1956 Mao lançou a Campanha das Cem Flores oferecendo à população o direito de criticar a classe dirigente. Entretanto, isso se tornou um instrumento para que Mao identificasse os setores mais resistentes ao PCC e pudesse reprimi-los.
     Em 1958 Mao lançou o 2º Plano Quinquenal, que ele denominou de Grande Salto cujo objetivo era transformar a China numa potência industrial, mas os resultados foram decepcionantes, com indicativo da ocorrência de numerosas mortes por fome.
     As divergências entre Mao e Kruschev resultaram num estremecimento das relações e o rompimento delas em 1962. A partir daí foram inúmeras as vezes que chineses e soviéticos estiveram muito próximos de um conflito de gravíssimas proporções.
     Em 1966 em razão do fracasso do Grande Salto, que Mao atribuiu ao fato da sociedade não estar completamente ideologizada, foi iniciada a Grande Revolução Cultural, que marcou o endurecimento do regime e a utilização, em grande escala, da repressão. Além disso, a Revolução Cultural impôs o fechamento econômico da China para o exterior. A Revolução contou com apoio da juventude chinesa que integrou as Guardas Vermelhas.
     No início dos anos 1970 houve uma aproximação entre Washington e Pequim promovida pelo governo Richard Nixon e seu Secretário de Estado Henry Kissinger, cujo principal resultado foi o  ingresso da China Popular na ONU, com a exclusão da China Nacionalista. Em 1979 foram formalizadas as relações diplomáticas entre os dois países. Essa aproximação fez parte de uma estratégia norte americana de usar a China na contenção da influência soviética na Ásia.
     Em 1976 morreram Mao Tse-Tung e Chou Em Lai os representantes da velha guarda do PCC. A morte de Mao abriu uma disputa pelo poder entre o Grupo de Xangai liderado pela viúva de Mao, Chiang Ching adepto da Revolução Cultural e o Grupo Reformista sob liderança de Deng Xiao-Ping. A vitória do grupo de Xiao-Ping resultou na prisão, julgamento e condenação do chamado Bando de Xangai ou Camarilha dos Quatro e na implementação de uma política de mudança de rumos da economia com:



- a desorganização das Comunas Populares (terras coletivas), incentivando a agricultura familiar e a criação do mercado livre para o setor;

- a criação das ZEEs (zonas econômicas especiais) o que atraiu investimentos estrangeiros para os setores da indústria e de serviços. Nelas foram admitidas as relações capitalistas de produção, isso formatou o que se denomina socialismo de mercado;

- a adoção do Programa das quatro modernizações direcionado aos setores da ciência, da indústria, da tecnologia e da defesa.

     Em 1989, após um longo período de relações congeladas, a China e a URSS reataram politicamente concretizada na visita de Gorbachev a Pequim. A visita de Gorbachev à China estimulou um movimento da juventude chinesa em defesa das liberdades e da democracia, que foi violentamente reprimido pelo governo num episódio conhecido como a Primavera de Pequim. Esse episódio de 1989 mostrou com clareza ao mundo, que as mudanças econômicas promovidas pelo grupo de Deng Xiao-Ping não repercutiram no campo político, ou seja, o Estado continuaria com a mesma estrutura fechada da época maoísta.

Em razão de nova orientação do governo chinês, abriu-se um canal de conversação com o governo do Reino Unido, cujo resultado foi a devolução da Ilha de Hong-Kong aos chineses em julho de 1997
                                                

A Guerra da Coreia (1950/1953)

     Essa guerra entre as duas Coreias teve início quando houve uma ofensiva da Coreia do Norte sobre o sul da Península, numa tentativa de promover a reunificação do país. A Coreia na Segunda Guerra esteve sob domínio japonês e foi libertada por uma ação soviética e norte americana, o que deu as duas superpotências o “direito” de promoverem a sua divisão em dois governos tendo como referência o Paralelo 38ºn: no sul um governo pró-EUA e no norte um governo pró-URSS, Moscou e Washington acertaram a realização de um plebiscito no sul para ratificar ou não a divisão. Quanto ao plebiscito, nunca foi realizado.
     No início do conflito, houve uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, que deliberou pelo envio de uma força internacional constituída basicamente pelo exército dos EUA e alguns de seus aliados. As Forças Internacionais intervieram e instalaram-se na Coreia do Norte próximas da fronteira chinesa. Essa situação levou o governo de Pequim a enviar ajuda ao governo de Pyong Yong tornando a guerra muito mais perigosa. Depois de intensos combates, os dois lados decidiram assinar um acordo de cessar fogo de Panmunjon, que reafirmou a divisão pelo Paralelo 38, vigente até hoje.

A Guerra da Indochina (1946/1954) e a Guerra do Vietnã (1965/72)

     Essas guerras tiveram suas origens na luta de libertação da Indochina do domínio francês, instalado desde o século XIX. A guerra de libertação contra a França foi promovida pelo Vietminh (Frente de Libertação) sob a liderança de Ho Chi Minh fundador do Partido Comunista do Vietnã. Essa luta teve início na década de 1930 contra os franceses, durante a Segunda Guerra Mundial a luta se voltou contra os japoneses que haviam ocupado a Península Indochinesa (Laos, Camboja e Vietnã). Em 1946 após a expulsão dos nipônicos, Ho chi Minh proclamou a independência do Vietnã e instalou um governo no Norte. Os franceses reagiram não reconhecendo a independência e instalaram no sul do Vietnã um governo fantoche do Imperador Bao Daí. A guerra contra a França estendeu-se até 1954, em que ocorreu a vitória do Vietminh na Batalha Diem Bien Phu. A derrota francesa resultou na formação do governo comunista em Hanói e, por negociação,  a permanência do governo Bao Dai em Saigon (pró-Ocidente), até que um plebiscito no Sul ratificasse ou não a divisão, condição aceita pelos comunistas.
     Entretanto, em 1955 ocorreu um golpe de estado em Saigon liderado pelo Gal Ngo Dinh Diem, declaradamente anticomunista entre suas primeiras decisões, uma foi a suspensão do plebiscito decisão prontamente apoiada pelos EUA (Governo Eisenhower). Os comunistas de Hanói reagiram criando a Frente de Libertação Nacional e decidiram pela luta armada como forma de derrotar Ngo Diem.
     Em 1961 o novo Presidente dos EUA J. F. Kennedy deu início ao envolvimento norte americano no Vietnã, num primeiro momento enviando o que ele chamava de “conselheiros militares”. Estima-se que cerca de 15 mil “conselheiros” tenham sido enviados a Saigon. Como Ngo Dien estendia a sua intolerância aos budistas, o Vietnã passou a ser palco das manifestações silenciosas dos monges budistas que se auto imolavam. A morte do ditador e o quadro de instabilidade determinaram a entrada dos EUA de forma direta no conflito. O governo norte americano (Lyndon Johnson) usou como justificativa um ataque norte-vietnamita a navios americanos no Golfo de Tonquim para dar início a ofensiva militar sobre Hanói.
     De 1965 a 1972 desenvolveu-se a Guerra do Vietnã, inicialmente entre Hanói e os EUA, a partir do início dos anos 1970 ela se estendeu ao Laos e ao Camboja em razão do bombardeio norte-americano àqueles países sob o argumento de destruir a Trilha de Ho Chi Minh (rede de estradas usadas pelos guerrilheiros do Vietcong ). A ampliação do conflito para toda a Indochina somada as frequentes manifestações nos Estados Unidos contra a guerra, como por exemplo, no Festival de Woodstock, dos jovens nas universidades, e do movimento Hippie entre outros levaram o governo Richard Nixon a assinar com Hanói o Acordo de Paris em janeiro de 1973 no qual os EUA retirariam suas tropas e fariam com Hanói a troca de prisioneiros.
     Em 1976 após 30 anos, quase ininterruptos, chegava ao fim a Guerra do Vietnã com a vitória dos comunistas e a consequente unificação política e territorial do país. Era criada a República Socialista do Vietnã. No balanço da guerra contabilizou-se a morte de mais ou menos três milhões de norte vietnamitas entre civis e guerrilheiros. Pelo lado norte americano cerca de 46 mil soldados mortos.

A independência da Indonésia e a Conferência de Bandung de 1955

     Os indonésios conquistaram a independência após uma dura guerra de libertação contra os holandeses entre 1946 e 1949. A guerra tornou-se necessária pelo fato de a Holanda não ter reconhecido a Declaração de Independência feita pelo Partido Nacionalista Indonésio sob a liderança de Ahmed Sukarno logo após a expulsão dos japoneses, que haviam invadido a Indonésia na Segunda Guerra Mundial.
     De 1949 a 1965 o país ficou sob governo do líder nacionalista Sukarno, cujas diretrizes de governo (nacionalismo, islamismo, marxismo e não alinhamento) desagradavam aos interesses de Washington, aja vista a política de cooperação entre os indonésios e os chineses. Em 1955 Sukarno foi um dos articuladores e o anfitrião da Conferência de Bandung.
     Essa Conferência reuniu 29 países, sendo 15 asiáticos (China, Camboja, Vietnãs, Japão, Paquistão e outros), 8 do Oriente Médio (Turquia, síria, Líbano e outros) e 6 africanos ( Gana, Etiópia, Egito, Líbia, Libéria e Sudão). Nela os países membros aprovaram entre outros pontos:

- a declaração de apoio a emancipação de todas as colônias;

- a declaração de não alinhamento incondicional aos EUA ou à URSS, os países decidiram pela equidistância das Super Potências, de modo a não serem reféns dos interesses delas.

- respeito à soberania e integridade territorial de todas as nações;

- recusa na participação dos preparativos da defesa coletiva destinada para servir aos interesses particulares das superpotências;

- solução de todos os conflitos internacionais por meios pacíficos (negociações e conciliações, arbitradas por tribunais internacionais);

- estímulo aos interesses mútuos de cooperação.

     Em 1965, após ter superado tentativas anteriores de golpes, Sukarno caiu frente ao movimento golpista liderado pelo General Mohamed Suharto sob o argumento de não permitir que o país caísse sob domínio dos comunistas tolerado por Sukarno. O novo governo de imediato abandonou o não alinhamento assim como se distanciou de Pequim e de Moscou. Portanto, nenhuma surpresa que ele logo obtivesse o reconhecimento do governo Lyndon Johnson.
     No governo Suharto (1965/1999) a Indonésia invadiu o território do Timor Leste em 1975 sob o argumento de que o território timorense era indonésio e havia sido usurpado pelos portugueses no século XV. Nos 24 anos de domínio indonésio, os timorenses enfrentaram a opressão política, a intolerância religiosa e a obrigação de adotar o idioma indonésio em lugar do português.






O Japão

     Após a derrota na Segunda Guerra, cuja rendição se deu em 2 de setembro de 1945 em razão dos bombardeios atômicos sobre Hiroshima e Nagasaky em 6 e 9 de agosto respectivamente, o Japão sofreu a intervenção norte americana comandada pela Gal Mc Arthur de 1946 a 1951.
     Nesse período o Japão passou por algumas mudanças como a da instituição do parlamentarismo. Em 1951, repercutindo a vitória dos comunistas na China, os EUA retiraram a intervenção e propuseram aos japoneses um acordo de cooperação, que teve dois efeitos:

- a entrada de capitais norte-americanos, que produziram a rápida recuperação da economia japonesa naquilo que se chamou de milagre japonês. Um crescimento econômico com base nos zaibatsus, que haviam sido acusados pelo governo dos EUA de terem financiado o Japão na Segunda Guerra;


- o ingresso do Japão no sistema de aliança construído pelos Estados Unidos dentro da Guerra Fria. 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Unidade XXIII - As fases da Guerra Fria

As fases da Guerra Fria (1947/1991)

Anos 1940 e 1950 – A Fase da Contenção ou Guerra Fria Clássica

     Nessa fase além da formação dos blocos de alianças, a Guerra Fria contou também com alguns importantes eventos:

1948/49 – A Crise de Berlim

     Segundo o sociólogo francês Raymond Aron, a Guerra Fria foi um período de paz impossível e guerra improvável. Esse episódio de Berlim é conhecido como o primeiro grande teste da Guerra Fria, ou seja, colocou em xeque se ela era mesmo apenas uma guerra improvável, conforme cria o sociólogo francês.
     O que ocorreu em Berlim resultou da atitude soviética de bloquear todos os acessos terrestres à Berlim Ocidental, sob o argumento da necessidade de recuperação das estradas afetadas pela Segunda Guerra. Essa argumentação soviética mascarava o descontentamento de Moscou com a política praticada pelos interventores da parte ocidental da Alemanha (EUA, Reino Unido e França), que apontava para uma reforma monetária e o início da constituição de um governo autônomo.
     Em junho de 1948, os soviéticos interromperam as vias rodoviárias que ligavam a zona ocidental com Berlim, logo em seguida eles estenderam o bloqueio aos serviços ferroviários e de barcaças. De imediato cortaram o fornecimento de alimentos para a Berlim não-soviética e o fornecimento de energia elétrica.
     Entretanto, como o bloqueio não atingira o espaço aéreo, isso abriu caminho para que os aliados o utilizassem para abastecer Berlim Ocidental em todas as suas necessidades. O êxito da aliança Ocidental levou os soviéticos a suspenderem o bloqueio em maio de 1949. A crise apesar de superada, deixou duas claras consequências: de um lado o agravamento da relação Leste-Oeste e por outro lado a criação, ainda em 1949, dos estados autônomos da República Federal Alemã (Alemanha Ocidental) e República Democrática Alemã (Alemanha Oriental).




1949 – A Bomba Atômica Soviética
    
     Após utilizarem suas bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaky em 6 e 9 de agosto de 1945, os EUA não vacilaram em usar esse poderio bélico como argumento nas relações e discussões com a URSS. Essa situação  pressionou Moscou a investir na pesquisa atômica, cujo resultado foi a construção da Bomba de Hidrogênio em 1949. Era o equilíbrio do terror atômico.

1947/1952 – O Macartismo
    
O termo macartismo é uma referência ao período da história dos EUA, marcado por uma intensa perseguição política aos comunistas e àqueles que manifestavam simpatia pela via marxista. Essa intolerância foi estimulada por uma comissão do Senado Americano de investigação de atividades antiamericanas presidida pelo senador McCarthy. Era o que se chamou de Caça às Bruxas.
     Essa política, com abrigo do governo, promoveu ações de violação dos direitos civis, em que o medo do comunismo justificou perseguições a funcionários públicos, à industria de shows e espetáculos, a professores, a atores, diretores e roteiristas de Hollywood e até mesmo cientistas como foi o caso do Casal Rosenberg, judeus norte americanos que foi acusado de espionagem pró-URSS, teriam repassado informações do programa nuclear para os soviéticos. Ambos foram executados na cadeira elétrica em 19 de junho de 1953.
     A caça às bruxas do macartismo perdeu expressão quando a opinião pública tomou conhecimento das violações aos direitos civis denunciadas principalmente pelo jornalista Edward R. Murrow da rede CBS (o filme Boa Noite, Boa Sorte do diretor George Clooney aborda a intensa campanha do jornalista). Em 1957, já no ostracismo, morreu o senador McCarthy.

1950/53 – A Guerra da Coreia

     Esta foi uma guerra civil, que traduziu um confronto entre o capitalismo e o socialismo. Foi um conflito deflagrado por uma ofensiva da Coreia do Norte sobre a Coreia do Sul numa tentativa de promover a unificação do país dividido pelo paralelo 38ºN em 1945 na Conferência de Yalta. A ação norte coreana contou com apoio chinês e da URSS e enfrentou os sul coreanos com a ajuda dos EUA e do Reino Unido que enviaram tropas autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU. O equilíbrio de forças proporcionou a celebração do acordo de paz de Pam Mun Jon, que manteve a divisão da Coreia tal como estava desde 1945.

1953/1955 – a morte de Stalin e a ascensão de Nikita Kruschev

     Em 05 de março de 1953, aos 74 anos, morreu o líder soviético Joseph Stalin. Após um breve período de transição subiu ao poder Nikita Kruschev, que permaneceu no poder até 1964 quando foi afastado por uma decisão do Politburo, tornando-se assim no único dirigente soviético destituído. Ao longo do seu governo Kruschev foi protagonista em importantes eventos tanto da política interna quanto da externa.
     Internamente seu governo ficou marcado pela Desestalinização em que denunciou Stalin pelos crimes de mortes e prisões abusivas durante seu governo, pela defesa de uma desrussificação da URSS, por uma política econômica de maior ênfase à produção de bens de consumo e de incentivo à produção agrícola e por uma redução do volume de investimentos na produção de armamentos.
      Externamente marcou sua trajetória pela defesa da Coexistência Pacífica com os EUA, pela intervenção na Hungria, pela construção do Muro de Berlim em 1961, pela ruptura com a China Popular e pela Crise dos Mísseis de 1962.

Anos 1960 e 1970 – Fases da Coexistência Pacífica e Détente

     Nessas duas décadas criou-se no mundo uma expectativa de que a Guerra Fria perdesse a intensidade e, até mesmo, pudesse ter fim. Essa expectativa decorreu de uma proposição do líder soviético Nikita Kruschev sobre a competição entre as duas superpotências deveria se deslocar do campo bélico para o campo econômico. Ainda que os EUA tenham encampado a ideia de Kruschev, isso não significou um avanço significativo. Ao contrário da expectativa de paz, na década de 1960 teve início a ofensiva norte americana sobre o Vietnã do Norte, provocando um dos maiores genocídios do século. Como também na década de 1960, indo de encontro ao espírito do degelo defendido por Kruschev, a URSS, sob a capa do Pacto de Varsóvia, despejou sua força militar sobre a Tchecoslováquia, na Primavera de Praga.
     Ainda nessa década houve a construção em 1961 do Muro de Berlim, que subitamente fechou a passagem entre os dois lados da cidade. Isso foi iniciativa do governo da RDA orientado pelo governo de Moscou. O muro passou a simbolizar a divisão do Mundo entre o capitalismo e o socialismo.
     Em outubro de 1962 ocorreu o episódio de maior tensão nas relações entre as superpotências, a Crise dos Mísseis. Esse episódio resultou da iniciativa soviética de instalar mísseis em Cuba, em resposta a instalação pelos EUA de mísseis na Itália, na Grã-Bretanha e na Turquia no ano anterior. O argumento de Moscou era o caráter defensivo da ação e proteção à Cuba, que fora alvo de uma tentativa de invasão (à Baía dos Porcos) patrocinada pelos EUA em 1961. 
A tensão foi alta, mas a solução foi política. Em 28 de outubro Kruschev e J. F. Kennedy firmaram um acordo no qual a URSS comprometia-se a não instalar os mísseis em Cuba e os EUA a retirarem seus mísseis da Turquia. Era o fim do período de maior tensão na Guerra Fria. Em meio a essa tensão, surgiu um dos símbolos da Coexistência Pacífica o telefone vermelho, que a bem da verdade era um teletipo que seria uma última via para o entendimento entre a Casa Branca e o Kremlim.
     Na década de 1970, os novos dirigentes – Leonid Brejnev na URSS e Richard Nixon nos EUA – deram início ao que se denominou de Détente ou Distensão na relação entre as duas superpotências.
     Nixon negociou a paz com o Vietnã, promoveu a aproximação com os chineses, que rendeu à Pequim o seu ingresso na ONU em lugar da República Nacionalista instalada em Formosa (atual República de Taiwan) e com o líder soviético assinou em 1972 o primeiro tratado de limitação da produção de armas estratégicas – SALT 1-.
     Jimmy Carter, presidente dos EUA eleito em 1976, que na posse declarou compromisso com a distensão, em 1979 assinou com Brejnev o SALT 2. Entretanto, essa tendência da Guerra Fria sofreu na década de 1980 um retrocesso, isso decorreu da derrota de Jimmy Carter na eleição de 1980,  para o candidato Republicano Ronald Reagan cujo histórico o traduzia como um ferrenho anticomunista e registrava sua participação no movimento macartista do final dos anos 1940.

                   
                                     As razões da derrota de Jimmy Carter em 1980

     A derrota de Jimmy Carter foi interpretada como uma derrota da Distensão. Para ela contribuíram algumas situações, que colocaram Carter em maus lençóis e determinaram a vitória de Reagan:

- A questão do Irã em 1979. Naquele ano houve a terminalidade de um processo revolucionário sob a liderança do Aiatolá Ruhollah Khomeini à frente dos fundamentalistas, que derrubou o governo do Xá Reza Pahlevi tradicional aliado dos EUA. Com os ânimos exaltados e um sentimento anti norte americano aflorado, jovens iranianos, entre eles o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, invadiram a Embaixada dos EUA em Teerã em 04 de novembro de 1979 e lá permanecendo até 20 de janeiro de 1981, em que fizeram 52 reféns. O episódio provocou uma crise nas relações entre os dois países e fez um estrago na candidatura de Carter em 1980. Os reféns foram libertados pelo Acordo de Argel. Carter havia tentado libertá-los numa missão de resgate em abril de 1980, o fracasso da operação, levou Carter a aplicar sansões econômicas à Teerã que não surtiram efeito.


- A questão da Nicarágua em 1979 – No país da América Central após uma longa luta armada promovida pela FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional), caiu uma das mais longas ditaduras do século XX, a da Família Somoza instalada no poder desde 1934. Os Somozas que marcaram sua trajetória com práticas abusivas de poder e de corrupção contaram o tempo todo com apoio do governo dos EUA. Eleito em 1976, Carter declarou que retiraria o apoio a todas as ditaduras entre elas a da Nicarágua. Sem apoio dos EUA Anastácio Somoza não resistiu e caiu. A vitória da FSLN resultou na instalação de um governo socialista inspirada na Revolução Cubana.

- A invasão soviética na Afeganistão em 1979 – Em 24 de dezembro de 1979 o Premier Leonid Brejnev determinou o envio de tropas soviéticas ao Afeganistão em apoio ao governo marxista da República Afegã, ameaçado pelos guerrilheiros Mujahidins. Os soviéticos se mantiveram no Afeganistão até 1988, quando o dirigente Mikhail Gorbatchev decidiu por retirar as tropas, haja vista o custo elevadíssimo para os cofres soviéticos.

(Caderno de anotações de aula. Professor Luis Francisco)


Anos 1980 – a Retomada da Guerra Fria Clássica e o fim da Guerra Fria

      Após as décadas da Coexistência Pacífica e da Distensão, os anos 1980 chegaram com um sentimento de retrocesso provocado pela política do Presidente dos EUA Ronald Reagan. Sabidamente anticomunista Reagan não demorou a adotar medidas de contenção do comunismo entre elas:

- o envio de “ajuda” aos Mujahidins na guerra contra os soviéticos no Afeganistão. Era a Operação Ciclone articulada pela CIA para armar os Mujahidins. A participação norte americana teve a aprovação do grupo Al-Qaida fundada pelo bilionário saudita Osama Bin Laden. Após a retirada das tropas soviéticas formou-se no Afeganistão o governo do grupo Talibã.

- o apoio do então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, aos "Contras" na Nicarágua foi considerado um dos fatos mais polêmicos de seu governo e um exemplo claro de sua determinação em combater com as próprias armas, o que este antigo caubói de Hollywood classificava como "império do mal". 
    
     Juntamente com os acordos secretos e à entrega de armas ao Irã para conseguir a libertação de reféns americanos no Líbano em mãos de grupos pró Irã, o chamado escândalo Irã-Contras ameaçou a presidência de Reagan. O presidente autorizou secretamente a Agência Central de Inteligência (CIA) a enviar uma ajuda à resistência nicaraguense no valor de 19,95 milhões de dólares. A decisão foi baseada em provas de que os sandinistas estavam recebendo armas do bloco soviético. 
     Em face de ameaça de impeachment do Presidente Reagan por ter vendido armas ao Irã, que estava sob embargo econômico decretado pelo ex-presidente Carter, o governo se mobilizou para apresentar os responsáveis pela operação, eram eles o Coronel Oliver North e o Almirante John Poind.
    
     Em sua autobiografia "Under Fire", publicada cinco anos mais tarde, North garantiu que Reagan sabia do que estava sendo feito para ajudar os "Contras". Se o tivesse confessado em seu depoimento histórico no Congresso, exibido pela TV, o presidente poderia ter sido destituído.

- A invasão da Ilha de Granada no Caribe em 1984. Essa ação promovida pelo governo Reagan foi “justificada” como uma forma de contenção da ajuda cubana ao governo de Granada. Segundo o governo dos EUA, Cuba seria a ponta de lança da presença soviética no Caribe. Seria, na visão dele, uma ação preventiva.

- Não se pode finalizar essas anotações sobre o governo Ronald Reagan, sem mencionar o fato dele ter defendido a construção de um mega projeto bélico denominado Star Wars. O projeto apresentado como defensivo, custaria mais de um trilhão de dólares e funcionaria com base em um sistema de monitoramento, através de satélites, das bases soviéticas de onde poderiam ser disparados mísseis contra o Ocidente. O sistema de defesa dispararia mísseis defensivos para interceptar os que fossem  lançados pelos soviéticos. 
    
     Não obstante o empenho do Presidente em defender o projeto, ele acabou engavetado, porque, a bem da verdade, ele teria uma eficácia duvidosa em razão de não ter capacidade para monitorar as bases móveis de lançamento de mísseis como os submarinos.
     Mais recentemente o governo George W. Bush (2000/2008) tentou desengavetar o projeto, sob o argumento de utilizá-lo contra o Terrorismo Internacional. George W. Bush tentou pegar carona na esteira dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque. Entretanto, a proposição dele não sensibilizou o Congresso dos Estados Unidos.

     Reagan mesmo tendo sido baleado sobreviveu ao tiro que o atingiu no pulmão. Esse atentado também contribuiu para alavancar a carreira do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que estava próximo ao local do atentado e conseguiu registrá-lo com a sua lente.








A mudança de rumos da URSS com Mikhail Gorbachev

     Em 1985 ao mesmo tempo, que nos EUA, Ronald Reagan afiava suas garras para combater o comunismo, na URSS ascendia ao poder Mikhail Gorbachev após os dois breves governos de Iuri Andropov (1982/84) e Konstantin Tchernenko (1984/85).      Ao longo dos seus seis anos de governo, Gorbachev conduziu uma política de grandes reformas na URSS no campo econômico, no campo político e na política externa, cujos resultados foram: o fim da Guerra Fria, a queda do muro de Berlim, a extinção do Pacto de Varsóvia, a retirada das tropas do Afeganistão, mas também o fim da própria URSS em 1991.
     No campo político ele promoveu o se chamou de GLASNOST, cujo significado em russo é transparência. No campo econômico, foi realizado um programa de reestruturação da economia sob a denominação de PERESTROIKA.
     A Glasnost se traduziu em liberdade de expressão dos meios de comunicação, ponto de partida para a abertura política. A democratização diminuiu o papel do Estado e do Partido Comunista no controle da informação e das liberdades. Dessa forma foi quebrado o monopólio da política pelo Partido Comunista. Além dessas mudanças institucionais, a Glasnost defendeu maior autonomia das Repúblicas Soviéticas, o que provocou uma reação de cunho nacionalista até então reprimida pelo poder central instalado em Moscou através do Comitê Central do Partido Comunista, do Soviete Supremo e do Politburo. Entretanto, a proposta de maior autonomia confundiu-se com uma ação de cunho separatista, que provocou o colapso da URSS em 1991.
     A Perestroika traduzida como reestruturação ou reconstrução, ela resultou em mudanças profundas no sistema econômico soviético em que a economia rigidamente planificada desde os tempos stalinistas foi substituída pela economia de mercado. Era o que se chama socialismo de mercado ou capitalismo de estado como definiu Lênin. 
     Nessa reestruturação, uma medida essencial adotada por Gorbachev foi reduzir os gastos militares com o sistema de defesa o que incluiu a retirada das tropas do Afeganistão, a negociação com os EUA| para redução de armamentos, que resultou na assinatura em do Tratado de Desarmamento –START- com George Bush em 1991, e o compromisso de respeitar a autonomia das Repúblicas do Leste. Esta última decisão foi o ponto de partida para a queda do Muro de Berlim em novembro de 1989 e a reunificação da Alemanha em 1990, assim como a queda dos governos comunistas (pela via pacífica ou violenta) em 1989 e a realização em 1990 das eleições presidenciais nessas repúblicas. A Perestroika resultou na liberalização dos preços, do comércio externo, na redução dos subsídios e liberdade de importação.     
     Em 19 agosto de 1991, meses antes do colapso da URSS, houve uma tentativa de golpe contra Gorbachev promovida por grupo da chamada linha dura do PC contrário as reformas políticas e econômicas em curso. Os golpistas liberaram uma nota oficial que indicava o afastamento momentâneo do Presidente Gorbatchev em razão de uma enfermidade. Não tardou para que houvesse uma reação contrária dentro e fora da URSS, internamente a reação coube aos ultrarreformistas liderados pelo presidente da República da Rússia Boris Yelktsin. A mobilização abortou o golpe em 21 de agosto. Gorbachev que estava em prisão domiciliar na Crimeia voltou a Moscou, reassumindo suas funções.     

     Entretanto, nos meses subsequentes houve o avanço do separatismo com a independência das Repúblicas do Báltico (Estônia, Lituânia e Letônia) seguida da assinatura do Tratado de Minsk em 8 de dezembro pela Rússia, Ucrânia e Bielorrússia, que deu origem a CEI (Comunidade dos Estados Independentes). Em 25 de dezembro de 1991 o Presidente Gorbatchev renunciou ao cargo, que na prática já não existia. Era o ato formal de desaparecimento da URSS. Com o fim da União Soviética, de forma definitiva acabou a Guerra Fria.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Unidade XXII - A Bipolarização ideológica e a formação dos blocos


O Mundo pós 1945
A bipolarização ideológica, a Guerra Fria e a formação dos Blocos.

     Após a rendição japonesa em 02 de setembro de 1945 até 12 de março de 1947, o mundo viveu um período de rescaldo da Segunda Guerra. Era visível a bipolarização ideológica, de um lado a União Soviética como representante da ordem socialista de economia estatizada e planificada com base nos Planos Quinquenais, com o setor rural organizado nos Kolkhozes e nos Sovkhozes, de partido único e sob o governo autoritário do líder Josef Stalin (secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e do comitê central desde 1922). 
     Do outro lado os Estados Unidos simbolizando o capitalismo do ocidente de economia liberal, pluripartidário, com eleições livres e com garantia das liberdades individuais. Entretanto, nesses 17 meses não havia nenhuma expectativa que as diferenças gerassem tensões entre essas potências, parecia existir um código de respeito mútuo às diferenças.

     Entretanto, em março de 1947 o Presidente Harry Truman, em mensagem enviada ao Congresso Norte Americano, apontou para uma ação que os EUA deveriam empreender na defesa da liberdade e da democracia, segundo ele, ameaçada pelo comunismo representado pela URSS. Nascia nesse momento o que se conheceu como Doutrina Truman, ponto de partida para a Guerra Fria de Contenção das décadas de 1940 e de 1950. Essa  ação norte americana provocou uma previsível reação de Moscou, que buscou reforçar sua área de influência, impedindo qualquer tentativa de ruptura. O que viu a partir daí foram ações recíprocas de hostilidade, de propaganda, de acusações, que geraram a formação de blocos de alianças e constituíram o cenário da bipolarização mundial.
Os Blocos de Alianças

Bloco norte americano

     Esse bloco incluiu a Europa Ocidental, as Américas, a Oceania, a Ásia de Sudeste e o Oriente Médio. Na construção, os EUA definiram algumas políticas de apoio financeiro, econômico, tecnológico e militar aos países membros, conforme descrição abaixo:

- (1947) Plano Marshall – Proposta defendida pelo Secretário de Estado George Marshall, ofereceu um volume de recursos da ordem de 13,1 bilhões de dólares à Europa para sua reconstrução. Em princípio os recursos estavam disponibilizados para todo o continente. Entretanto, Moscou não autorizou os governos do Leste Europeu a terem acesso a eles, reconhecendo a impregnação ideológica contida na ajuda norte americana.

 Não obstante a proibição de Moscou, a Iugoslávia sob governo do Mal. Tito ignorou-a e foi o único país do bloco socialista a utilizar recursos do Plano Marshall. Claro que a atitude do Mal. Tito resultou num rompimento entre ele e Stalin.


- (1949) O.T.A.N. (Organização do Tratado do Atlântico Norte) – Organização existente nos dias atuais foi criada sob o argumento de ser uma aliança defensiva, ou seja, para responder a qualquer ataque promovido pelas forças socialistas do Leste. Essa Aliança incluía além dos EUA, o Reino Unido, a França, o Canadá, a Alemanha Ocidental, entre outros.


- (1949) O.E.A. (Organização dos Estados Americanos) – Essa organização ainda existente foi criada para construir uma política pan americana, que estreitaria os laços políticos entre as nações da América Latina e Washington.

Através da OEA há política de cooperação econômica, financeira, tecnológica e militar entre os EUA e os demais países.

     Com relação a OEA, em 1962 por proposta dos EUA (Governo JFK),  na Conferência de Punta Del Este no Uruguai, Cuba foi excluída da Organização sob o argumento de ser uma ameaça a democracia e a liberdade na América após a adoção do socialismo como via de desenvolvimento.


- (1951) Pacto de ANZUS – Esse acordo se traduziu como um programa de cooperação econômica, financeira e tecnológica  entre os EUA,  Austrália e  Nova Zelândia.


- (1954) O.T.A.S.E. (Organização do Tratado da Ásia de Sudeste) Nessa organização entre os países líderes do Ocidente e os países do Sudeste Asiático a cooperação incluía a aliança militar entre eles.

     A criação da OTASE foi uma resposta do Ocidente à vitória comunista na China, a manutenção do governo comunista da Coreia do Norte após a Guerra Civil e a vitória do movimento de libertação da Indochina sob liderança  dos comunistas comandados por Ho Chi Mihn (fundador do Partido Comunista do Vietnã e líder da Frente de Libertação, o Vietmihn).

O bloco soviético

      Imediatamente a ofensiva dos EUA com a Doutrina Truman, a URSS respondeu adotando políticas para a formação de um bloco socialista sob seu comando, na Europa Centro Oriental e Balcânica.

- (1947) KOMINFORM – Órgão responsável pelo controle ideológico no Leste Europeu. O Kominform enviava técnicos para darem “assessoria ideológica” aos governos socialistas do Leste.

- (1949) COMECON (Conselho de Assistência Econômica Mútua) - O Comecon constituía-se num bloco econômico formado pela URSS e os países do Leste Europeu. Como a URSS não dispunha de recursos para doá-los, adotou uma política de cooperação entre os países do Leste e entre eles e a  URSS.

- (1955) PACTO DE VARSÓVIA – Essa aliança de natureza militar foi apresentada como de caráter defensivo para responder a um eventual ato de agressão do Ocidente.

     Com relação ao Bloco soviético, vale lembrar que a Iugoslávia foi o único país do Leste Europeu que não o integrou.



     
                     As intervenções do Pacto de Varsóvia no Leste Europeu

     Em duas oportunidades as forças do Pacto de Varsóvia intervieram em países do Leste Europeu. Em 1956 na Hungria e em 1968 na Tchecoslováquia.
     
     Em ambos os casos as intervenções tiveram o propósito de conter reformas políticas, de cunho liberal, defendidas pelos dirigentes locais. Tanto na Insurreição Húngara ou Levante de Budapeste em 1956 como na Primavera de Praga em 1968, a intervenção do Pacto de Varsóvia resultou na deposição da classe dirigente e a nomeação de novos governantes.
    
     Em 1980/82 a Polônia esteve sob risco de intervenção das forças do Pacto de Varsóvia, em razão do movimento dos metalúrgicos do “sindicato” Solidariedade dos metalúrgicos de Gdanski liderado por Lech Walesa. O movimento Solidariedade defendia reformas políticas que garantissem a liberdade partidária, liberdade sindical e eleições livres. No caso polonês não houve a intervenção do Pacto porque o próprio governo reprimiu as manifestações.

(Caderno de anotações de aula. Professor Luis Francisco)